Veja as reações à derrubada do veto de Lula ao PL da Dosimetria

Oposição celebrou a decisão do Legislativo, enquanto a base governista lamentou a manutenção da proposta

WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDOO projeto de lei propõe a redução de penas dos condenados pelos atos de 8 de Janeiro

O Congresso Nacional derrubou nesta quinta-feira (30) o veto presidencial ao projeto de lei nº 2.162/2023, o chamado PL da Dosimetria. O texto propõe redução de pena dos condenados pelos atos de 8 de Janeiro, incluindo o ex-chefe do Executivo Jair Bolsonaro. Por meio das redes sociais, a oposição celebrou a decisão do Legislativo, enquanto parlamentares da base do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lamentaram.

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) chamou o PL de “inconstitucional”. O parlamentar afirmou que a decisão de derrubar o veto de Lula “revela a face espúria de um acordo costurado por setores inimigos do povo” com o intuito de, além de reduzir as penas dos condenados pelo 8 de Janeiro, “blindar políticos ligados ao Banco Master”. O congressista declarou que a proposta será judicializada junto ao Supremo Tribunal Federal (STF).

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) classificou a decisão como “vergonhosa”. A congressista disse que, na prática, o Congresso está concedendo anistia. Ela ainda convocou a população a ir às ruas contra a decisão do Legislativo.

O senador Fabiano Contarato (PT-ES) também entendeu a manutenção do PL da Dosimetria como uma “anistia disfarçada”. O parlamentar declarou que, nos últimos anos, houve esforço para “aprovar regras mais duras para crimes graves” e a oposição faz movimento “no sentido contrário”. Ele afirmou também que a decisão “alimenta a impunidade e enfraquece as instituições, a democracia e o Estado de Direito”.

Na contramão, o deputado federal André Janones (Rede-MG) teceu críticas ao tratamento da ala esquerdista ao PL da Dosimetria. Para o parlamentar, a proposta “foi aprovada” quando aceitaram a nomenclatura e citaram o ex-deputado federal Rubens Paiva, morto na Ditadura Militar. “A gente está perdendo a narrativa não para a direita, mas para o nosso elitismo e para a nossa arrogância intelectual. Se a gente não começar a dialogar com o povo do Brasil real, enquanto dá tempo, o cacete nas urnas em outubro será inevitável”, declarou.

O senador e pré-candidato ao Planalto, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), disse que “a derrota” do Partido dos Trabalhadores (PT) é “a vitória do Brasil”. O parlamentar agradeceu aos colegas por votarem pela manutenção do projeto de lei e ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), por ter colocado a análise em pauta e “ajudar na derrubada do veto”.

O líder do Partido Liberal (PL) na Câmara, o deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), compartilhou uma foto dele abraçado com outros parlamentares após o resultado da votação. Na publicação, escreveu que “Flávio Bolsonaro vem aí” e afirmou que irão “libertar o Brasil do PT”.

O líder da oposição no Senado, o senador Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que o “Congresso reagiu, enfrentou o arbítrio e fez justiça”. “O Brasil escolheu a pacificação, o reencontro de famílias e o resgate da normalidade democrática. É a derrota de um projeto de poder baseado no rancor e a vitória de um país que quer virar a página e seguir em frente”, escreveu.

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) compartilhou vídeo de familiares dos condenados do 8 de Janeiro que estão presos. Na publicação, o parlamentar escreveu que “a luta continua”.

 

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A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) afirmou estar “lutando incansavelmente pela garantia dos direitos e pela proteção das famílias”. “Não vamos recuar enquanto a justiça não prevalecer para todos”, disse.



Fonte: Jovem Pan