Depois da vitória na estreia contra a Áustria, 3 a 0, e de um empate diante da Inglaterra, 0 a 0, a seleção precisava vencer a URSS para garantir vaga no mata-mata da Copa de 1958, na Suécia. O técnico Vicente Feola foi obrigado a apostar na ofensividade e promoveu três alterações: colocou Zito, no meio de campo, e lançou de uma só vez Pelé e Garrincha. Os minutos iniciais, em Gotemburgo, foram marcados por um show do ponta direita que “destruíu” o sistema defensivo dos soviéticos. Com dois gols de Vavá, um em cada tempo, a equipe ficou em primeiro lugar do grupo e seguiu rumo à conquista do título inédito em campos europeus.
Relendo as colunas de Nelson Rodrigues, publicadas no jornal “Última Hora”, era curioso observar a revolta do cronista pernambucano com os torcedores pessimistas, mesmo depois da vitória: “(…) Portanto, marcamos dois e podíamos ter encaçapado muito mais. E o Brasil saboreou o triunfo como quem chupa um Chicabon. Quando acabou a jornada, houve, aqui, o diabo. Até os cachorros vagabundos, até os vira-latas, no meio da rua, ganiam e babavam, numa justa euforia, foi uma alegria tremenda, uma alegria de matar. (…) Quero aludir a um cavalheiro que, num lotação, rosna para os outros: – ‘Como estamos numa época de reatamento de relações, a Rússia entregou o jogo!’. Vamos e venhamos – O sujeito para arriscar semelhante tese precisa ter muita falta de caráter, muita falta de brio, muita falta de pudor. Conclusão: – Os outros passageiros quiseram linchar o cínico. Realmente, é o cúmulo que um lotação aceite animais. (…).” (Última Hora, 18/06/1958, p.15.)
Depois de décadas, finalmente apareceu a íntegra do duelo entre Brasil e União Soviética. A transmissão é da Rádio Guaíba, de Porto Alegre, com narração de Mendes Ribeiro. A gravação foi gentilmente cedida pelo pesquisador Ciro Götz. O sonoplasta Moacir Biazzy fez um trabalho de recuperação do áudio, agora disponível no “Memória da Pan”.
Fonte: Jovem Pan




