A organização criminosa alvo da Operação Hawala utilizava uma rede de empresas para dar aparência de legalidade a recursos provenientes do crime organizado, segundo investigação da Polícia Civil do Rio de Janeiro e do Ministério Público do Estado (MPRJ). De acordo com as apurações, o esquema teria movimentado mais de R$ 100 milhões e prestava serviços de lavagem de dinheiro para integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP), além de ocultar valores ligados ao Comando Vermelho (CV) e ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
As investigações apontam que, entre 2021 e 2024, dezenas de empresas foram utilizadas para dissimular valores obtidos com tráfico de drogas, receptação qualificada e comércio de produtos falsificados.
Segundo a Polícia Civil, o grupo empregava diferentes mecanismos para dificultar o rastreamento dos recursos. Entre eles estavam a criação de empresas de fachada, transferências sucessivas entre pessoas jurídicas, depósitos fracionados em dinheiro, utilização de pessoas interpostas, conhecidas como “laranjas”, e movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada pelos investigados.
A análise das operações financeiras contou com o apoio do Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro (LAB-LD), que identificou indícios de incompatibilidade entre a movimentação das empresas e suas atividades econômicas.
As apurações também indicam que uma operadora financeira administrava empresas responsáveis por movimentar mais de R$ 47 milhões durante o período investigado. Além disso, um contador é apontado como peça importante do esquema por, supostamente, conferir aparência de regularidade às empresas e deixar de comunicar operações consideradas suspeitas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
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da Coluna Mirelle Pinheiro
Segundo os investigadores, a estrutura financeira funcionava como uma prestadora de serviços para diferentes organizações criminosas, permitindo a circulação de recursos ilícitos sem levantar suspeitas e fortalecendo financeiramente facções que atuam em diversas regiões do país.
Nesta quarta-feira (15/7), policiais civis e promotores do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ) cumpriram mandados de prisão e de busca e apreensão no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Paraná. A Justiça também determinou o bloqueio de ativos financeiros e a indisponibilidade de bens dos investigados.
As investigações prosseguem para identificar outros integrantes da organização, rastrear novos ativos e aprofundar a apuração sobre a movimentação nacional e internacional dos recursos supostamente lavados pelo grupo.
Fonte: Metrópoles




