Jaques Wagner ignora fogo amigo e quer decidir seu futuro só com Lula

Apesar da pressão de setores do Palácio do Planalto, o senador Jaques Wagner (PT-BA) afirmou a aliados que cabe somente a ele e a Lula decidirem o timing da provável saída do parlamentar da liderança do governo no Senado.

Segundo aliados, o senador avalia que, pela amizade e parceria política de quase 50 anos com Lula, a solução deve ser construída em comum acordo. O objetivo é evitar que a decisão seja interpretada como uma demissão.

Presidente Lula e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner
1 de 3

Presidente Lula e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner

Ricardo Stuckert / PR

Presidente Lula e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner
2 de 3

Presidente Lula e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner

Paula Froes/Assessoria Jaques Wagner

Senador Jaques Wagner foi alvo de operação da PF
3 de 3

Senador Jaques Wagner foi alvo de operação da PF

LUIS NOVA/ESPECIAL METRÓPOLES @LuisGustavoNova

Desde que Jaques foi alvo de operação da Polícia Federal (PF) no âmbito do caso Master, na quinta-feira (18/6), ministros palacianos pressionam para que o senador tome a iniciativa e peça para deixar a liderança.

O temor desses auxiliares presidenciais é de que o episódio envolvendo o líder do governo contamine a campanha à reeleição de Lula — a oposição já tem usado o caso para tentar desgastar o atual chefe do Planalto.

Pessoas próximas a Jaques disseram à coluna, sob reserva, que o parlamentar baiano “não é apegado” ao cargo e não insistiria em permanecer na liderança diante da possibilidade de prejudicar Lula.

O senador petista, no entanto, se irritou com o que considera um movimento orquestrado de alguns ministros do Planalto para pressioná-lo a deixar o posto de líder do governo o mais rápido possível.

Aliados de Jaques lembram que Lula também tratou com cautela a saída de Juscelino Filho (União Brasil) do Ministério das Comunicações. À época, o então ministro só deixou o governo após ser denunciado pela PGR.

Como noticiou a coluna, o senador quer ajustar a narrativa para que sua provável saída da liderança do governo não seja vista apenas como um pré-julgamento pelo fato de ter sido alvo da PF em um inquérito no qual nem sequer é réu.

“Jaques não é apegado (ao cargo). O ponto é o gesto. Ninguém pode pré-julgar. Ele tem direito à presunção de inocência”, diz um aliado do líder de Lula.

A expectativa é de que Lula e Jaques se reúnam nesta semana em Brasília para bater o martelo sobre o futuro do senador na liderança do governo. A reunião deve acontecer entre a terça-feira (23/6) e a quarta-feira (24/6).

Fonte: Metrópoles