O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se inscreveu para participar da audiência na Comissão de Comércio Internacional dos EUA sobre um possível tarifaço a ser aplicado ao Brasil pelo país. A audiência está marcada para 6 de julho e debaterá a recomendação de taxar o Brasil feita pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) após investigação sobre práticas comerciais brasileiras.
O órgão recomendou, no início do mês, uma taxa de 25% às importações brasileiras para punir práticas “irrazoáveis”. A conclusão da investigação foi divulgada logo após uma visita de Flávio aos Estados Unidos, onde ele se encontrou com o presidente Donald Trump e membros do alto escalão do governo do país. Horas após a divulgação da decisão do escritório, Trump também postou fotos do encontro com o senador brasileiro.
No pedido de inscrição, Flávio diz que vai depor contra a ação proposta e a favor de uma “resolução construtiva e negociada das questões identificadas na investigação”. Ele argumenta que a tarifa de 25% pode produzir o efeito oposto ao desejado, beneficiando o próprio governo brasileiro. Segundo ele, a oposição seria “a principal vítima interna” do tarifaço aos produtos brasileiros.
“A ação proposta, na prática, beneficiaria o próprio governo cuja conduta a investigação descreve, ao mesmo tempo que prejudicaria os exportadores brasileiros, importadores americanos, consumidores americanos e a oposição brasileira, que é a principal vítima interna da conduta em questão. A parte beneficiada pela medida não é a parte que a medida pretende alcançar”, argumenta.
Flávio também diz se opor a qualquer medida contra o Pix, que está no centro da recomendação de taxação do Brasil por prática considerada desleal. “A testemunha se opõe à imposição de tarifas sobre produtos brasileiros e se opõe a qualquer medida direcionada ao sistema público brasileiro de pagamento instantâneo. Ele o faz em nome dos consumidores e produtores de ambos os países, e em defesa de uma parceria que serve aos Estados Unidos e ao Brasil há mais de oitenta anos”, diz no documento.
Esta segunda-feira (22/6) é o último dia para que o público em geral possa se inscrever para participar presencialmente da audiência pública sobre a conclusão da investigação, marcada para 6 de julho. Comentários por escrito poderão ser enviados até 1° de julho.
Além de Flávio, outras 25 pessoas se inscreveram para participar da audiência presencial. Entre elas está o blogueiro Paulo Figueiredo, apoiador da família Bolsonaro.
Figueiredo declarou no pedido para participar da audiência que vai depor contra a tarifa de 25%. “A ação proposta puniria as vítimas da conduta que deu origem a esta investigação, ao mesmo tempo que fortaleceria seus autores.”
Investigação dos EUA
A investigação começou em 15 de julho do ano passado por determinação do presidente Donald Trump. A medida ocorreu logo após os Estados Unidos taxarem os produtos brasileiros em 50%, citando práticas “desleais” brasileiras.
Ao longo do último ano, a discussão sobre as tarifas, com a reversão de boa parte delas, foi assunto de várias conversas entre Trump e o presidente Lula. A última delas foi em maio, na Casa Branca.
O escritório concluiu que certos atos, políticas e práticas do Brasil são “irrazoáveis ou discriminatórios e oneram ou restringem o comércio dos EUA”. Por isso, eles seriam passíveis de ação judicial. Para chegar à conclusão, os EUA se baseiam na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
Flávio tenta se desvincular de tarifaço
Desde o anúncio da recomendação dos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro tem tentado se desvincular de uma possível ligação com o tarifaço. Ele tem dito publicamente que pediu pessoalmente a Trump, a Marco Rubio e ao vice-presidente JD Vance que não adotassem medidas tarifárias contra o Brasil.
“A única pessoa que quer tarifa no Brasil é o Lula, porque ele acha que vai ter um benefício eleitoral, vai querer jogar na conta de outro, do Bolsonaro. Ele faz uma força tremenda para que isso aconteça. Ele não está nem aí para as empresas brasileiras”, disse Flávio Bolsonaro durante fórum organizado pela revista Veja na semana passada.
O governo Lula, contudo, tem associado Flávio à possível medida imposta pelos norte-americanos. “Essa investigação teve início em 15 de julho de 2025 por provocação da família Bolsonaro e está associada à tentativa de ingerência em temas internos do nosso país, como feito na recente viagem do senador Flávio Bolsonaro a Washington. Essas investidas têm contado com o auxílio de falsos patriotas que usam cargos e funções públicas para conspirar contra os interesses nacionais”, diz nota oficial do governo sobre o assunto.
Fonte: Metrópoles




