Delegado da Polícia Civil afirmou que fragmentos humanos serão analisados no setor de antropologia forense, em Belo Horizonte. Polícia acredita haver nove mortos.
Os corpos das vítimas do acidente entre um ônibus e uma carreta na BR-251, em Santa Cruz de Salinas, no Norte de Minas, precisaram ser transferidos para o Instituto Médico Legal (IML) de Belo Horizonte por causa do estado de carbonização.
A informação foi confirmada pelo delegado regional da Polícia Civil, Douglas Ferraz Veloso. Segundo o delegado, os corpos serão analisados pelo setor de antropologia forense da Polícia Civil, na capital mineira, para tentar identificar as vítimas por meio de exames biológicos.
“Tem o IML de Taiobeiras, que é o posto médico legal. Só que os corpos, por eles estarem carbonizados, não é possível fazer necrópsia da forma comum, da forma conhecida. Então eles foram encaminhados para o setor de antropologia forense da Polícia Civil para lá poder fazer exames, através de material biológico, para poder tentar identificar sexo, idade e quem eram as pessoas que estavam naquele momento dentro do ônibus”, afirmou Douglas.
Os corpos das vítimas percorreram uma distância de 689 km, entre o IML de Taiobeiras e o IML de Belo Horizonte. Uma viagem de carro que dura aproximadamente 9h.
O delegado também explicou a dificuldade do trabalho pericial.
“Isso é o que nós temos. Nós temos fragmentos de corpo. A gente não tem um corpo completo”, completou.
Polícia acredita haver nove mortos
Inicialmente, as autoridades informaram que oito pessoas haviam morrido no acidente. No entanto, a Polícia Civil passou a considerar a possibilidade de uma nona vítima fatal após cruzar informações sobre os passageiros.
“Tinha a possibilidade de serem oito pessoas. Agora, olhando a lista dos passageiros do veículo, está acrescentando que haveria nove passageiros ausentes em entradas em hospitais. Então hoje a gente já não trabalha mais com oito vítimas fatais. A gente eleva esse número para nove, porque é o que nós temos até o presente momento: nove passageiros que não deram entrada em hospitais na nossa região”, disse o delegado.
Sobreviventes serão ouvidos pela Polícia Civil
Ainda de acordo com Douglas Ferraz Veloso, a Polícia Civil já ouviu parte dos envolvidos no acidente, mas aguarda a recuperação dos sobreviventes para aprofundar as investigações.
“A Polícia Civil conseguiu entrevistar o motorista do ônibus, bem como um casal que estava no hospital. Ele colheu algumas informações. Só que como eles estavam internados, a gente aguarda a liberação para depois essas pessoas comparecerem à delegacia”, explicou.
Polícia investiga saída de segundo motorista do local
A investigação também tenta esclarecer a conduta do segundo motorista do ônibus, que deixou o local após o acidente. Ele teria pegado carona com outro motorista.
“Mas tem que analisar por que ele fugiu. Se ele ainda ajudou a prestar socorro, por que deixou o local, tentar entender essa dinâmica, o que realmente aconteceu. Se teria feito consumo de algum tipo de bebida ou algum tipo de medicamento e ficou com medo”, afirmou o delegado.
Entenda o acidente na BR-251
O acidente foi registrado no km 234 da BR-251, em Santa Cruz de Salinas, por volta das 4h30 deste domingo (24). Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), houve uma colisão frontal entre um ônibus e uma carreta carregada com peças automotivas e sucatas.
Após o impacto, os veículos pegaram fogo e ficaram completamente destruídos. A rodovia precisou ser totalmente interditada durante o atendimento da ocorrência.
O ônibus saiu de São Bernardo do Campo, em São Paulo, com destino a Aracaju, em Sergipe. Já a carreta seguia de Fortaleza, no Ceará, para Piracicaba, no interior paulista.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, o coletivo transportava 15 passageiros e dois motoristas. A carreta era ocupada apenas pelo condutor, que foi encontrado com vida e socorrido pelo Samu.
As vítimas fatais estavam no ônibus e ficaram carbonizadas após o incêndio. Outras nove pessoas foram resgatadas e levadas para hospitais da região.
Entre os sobreviventes estão o motorista do ônibus, de 41 anos, além de idosos e outros passageiros com escoriações, dores e suspeitas de fraturas. Um casal relatou aos socorristas que precisou pular do ônibus para escapar das chamas.
As ferragens ficaram completamente retorcidas, o que dificultou o trabalho de resgate, desencarceramento e identificação das vítimas. Inicialmente, os bombeiros confirmaram cinco mortes, mas o número aumentou ao longo do atendimento da ocorrência.

Fonte: g1




