Fim do dinheiro nos ônibus do Rio: veja o que muda a partir de 30 de maio

Prefeitura do Rio anunciou que passageiros não poderão mais pagar a tarifa em espécie dentro dos ônibus municipais. Integração continuará disponível, mas apenas em cartões específicos do Jaé e pelo aplicativo.

A Prefeitura do Rio detalhou, nesta quinta-feira (14), como vai funcionar a transição para o sistema sem dinheiro nos ônibus municipais da cidade. A partir de 30 de maio, os passageiros não poderão mais pagar a passagem em espécie diretamente ao motorista.

Segundo a Secretaria Municipal de Transportes, apenas 9% das viagens atualmente são pagas em dinheiro. A prefeitura afirma que a medida pretende tornar as viagens mais rápidas e seguras, além de reduzir fraudes e acabar com a dupla função dos motoristas, que precisam dirigir e dar troco ao mesmo tempo.

O novo modelo começa a ser testado já na próxima segunda-feira (18), na linha 634 (Bananal–Saens Peña). Nela, os passageiros só poderão embarcar usando os cartões Jaé, o aplicativo do sistema ou o Riocard, nos casos de integração intermunicipal.

A mudança, no entanto, ainda divide opiniões entre passageiros e motoristas. Enquanto alguns defendem mais segurança nos coletivos, outros apontam dificuldades para idosos e pessoas sem familiaridade com tecnologia.

“Isso é bom pra segurança dos motoristas porque não vão andar com dinheiro. Pode diminuir o índice de criminalidade”, disse uma passageira.

Já a estudante Vitória de Jesus criticou a medida:

“Eu acho isso ruim porque muitos senhores não têm acesso ao telefone e ao QR Code. Muitas pessoas usam dinheiro em espécie.”

Segundo o prefeito Eduardo Cavaliere, o objetivo é acelerar o embarque e aumentar a segurança no transporte público.

“O embarque vai ficar mais rápido, mais fluido e mais seguro porque não circula dinheiro dentro do ônibus”, afirmou.

A prefeitura também argumenta que o modelo reduz fraudes e melhora a operação do sistema.

Entre os motoristas, a mudança foi bem recebida.

“Acho que vai ficar mais seguro, porque não vai mais dividir a atenção entre o trânsito e o troco. Mas o povo tem que se conscientizar porque muita gente ainda usa dinheiro todo dia”, afirmou o motorista Welington Bento.

O cartão Jaé, sistema de bilhetagem da Prefeitura do Rio — Foto: Reprodução/ TV Globo

O cartão Jaé, sistema de bilhetagem da Prefeitura do Rio — Foto: Reprodução/ TV Globo

O que muda a partir de 30 de maio?

A partir dessa data:

  • ônibus municipais do Rio não aceitarão mais dinheiro em espécie;
  • o pagamento será feito apenas por cartões ou aplicativo;
  • motoristas deixarão de vender passagens e dar troco;
  • integrações tarifárias passarão a ter novas regras no sistema Jaé.

Quais cartões poderão ser usados?

Os passageiros poderão pagar a passagem com:

  • cartão preto do Jaé;
  • cartão verde unitário do Jaé;
  • aplicativo Jaé;
  • Riocard, apenas em integrações intermunicipais

Como fica a integração entre ônibus?

Segundo a prefeitura, quem usa mais de um ônibus pagando integração precisará utilizar:

  • o cartão preto do Jaé, que é vinculado ao CPF;
  • ou o aplicativo do sistema.

Os cartões verdes, sem identificação, não permitirão integração tarifária entre ônibus municipais.

De acordo com o secretário municipal de Transportes, Jorge Arraes, os cartões sem identificação aumentam o risco de fraude.

“Os cartões verdes, sem identificação, aumentam o risco de fraude no processo de integração porque não têm associação ao CPF da pessoa. São ao portador e facilitam a fraude”, afirmou.

E os turistas?

Turistas e visitantes poderão utilizar:

  • o cartão verde unitário;
  • ou o aplicativo Jaé.

Nesse caso, não será necessário cadastrar CPF para pagar viagens avulsas.

Onde fazer recarga?

A prefeitura informou que existem cerca de 2 mil pontos de recarga espalhados pela cidade. Muitos deles aceitam pagamento em dinheiro.

Também será possível recarregar pelo aplicativo.

Mudança já acontece no BRT

No BRT, o sistema sem circulação de dinheiro já funciona atualmente. A prefeitura afirma que o modelo serviu como base para ampliar a medida aos ônibus municipais convencionais.

Fonte: g1