O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), saiu em defesa da ação da Polícia Militar (PM) que reintegrou a posse da Reitoria da Universidade de São Paulo (USP), no último domingo (10/5). Tarcísio afirmou, na tarde desta terça-feira (12/5), que a USP “não pode ser um espaço de baderna, de depredação” e que a polícia “agiu como tinha que agir”.
“A gente está falando de financiamento público, aquilo é para todos, não pode haver depredação. E a polícia agiu então como tinha que agir, dentro dos limites da legalidade”, declarou.
Segundo o governador, a própria USP chamou a Polícia Militar quando houve a ocupação do prédio da reitoria. No entanto, a universidade negou ter sido avisada sobre a reintegração na madrugada.
Durante a ação, cerca de 50 policiais militares agrediram estudantes com cassetetes e utilizaram bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo para desocupar a reitoria. O prédio estava ocupado por estudantes desde a quinta-feira (7/5), em meio à greve motivada pelo aumento de benefício estudantil.
Segundo o Diretório Central dos Estudantes (DCE), dezenas de alunos ficaram feridos e quatro foram detidos. Na versão da Secretaria da Segurança Pública (SSP), contudo, a desocupação foi concluída sem registros de feridos.
A pasta acrescentou que teriam sido apreendidos entorpecentes, armas brancas e objetos contundentes no prédio. Um boletim de ocorrência por dano ao patrimônio público e alteração de limites foi registrado no 7º Distrito Policial (Lapa). Após a qualificação, os detidos foram liberados.
Entenda a greve na USP
- A principal motivação da manifestação é a divergência dos alunos com a decisão de reajuste do PAPFE (Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil) – política de auxílio socioeconômico da universidade.
- Atualmente, o valor do benefício é de R$ 885 por mês, para alunos que não residem na moradia estudantil, e R$ 330 para os residentes.
- Os estudantes, no entanto, propõem aumento do valor para R$ 1.804, o equivalente a um salário mínimo paulista.
- Em comunicado emitido no dia 29/4, a reitoria informou que não iria acatar o pedido de aumento do auxílio. O documento também encerrou as possibilidades de negociação para esse assunto e para as demais demandas exigidas pelo corpo discente.
O DCE responsabilizou o reitor da USP, Aluísio Segurado, e o chefe de gabinete do reitor, Edmilson de Freitas, pela violência e questionou sobre a ação ter sido realizada sem determinação judicial.
Por parte da USP, a universidade lamentou os acontecimentos e repudiou que a “violência substitua o diálogo, a pluralidade de ideias e a convivência democrática como forma de avanço de pautas e solução de controvérsias”. A reitoria afirmou que continuará atuando com responsabilidade institucional, buscando a pacificação do ambiente universitário.
A USP acrescentou que manteve diálogo com o movimento estudantil, mas que as tratativas chegaram a um limite por causa da impossibilidade de atendimento das demandas dos alunos. “A Reitoria segue aberta a um novo ciclo de diálogo com a finalidade de consolidar o que já foi encaminhado nas reuniões com a representação estudantil, o que pressupõe a manutenção do direito de ir e vir em todos os espaços da Universidade.”
Fonte: Metrópoles













