bolsas fecham em queda com “chumbo trocado” entre Trump e Irã

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Os principais índices das bolsas de valores da Europa encerraram a semana no vermelho, fechando em queda no pregão desta sexta-feira (8/5), diante de um cessar-fogo considerado cada vez mais frágil entre Estados Unidos e Irã, em meio a novos ataques na região do Estreito de Ormuz e a ameaças mútuas entre os dois países.

O principal destaque do dia foi a divulgação do “payroll”, um indicador econômico mensal dos EUA que mostra a evolução do emprego no país fora do setor agrícola. Em abril, foram criadas 115 mil vagas, muito acima do esperado.

Os investidores também monitoraram a cotação do petróleo, que opera perto da estabilidade nesta sexta-feira, e a sequência da temporada de balanços corporativos na Europa.


O que aconteceu

  • O índice Stoxx 600, que reúne ações de 600 empresas europeias listadas em bolsas, registrou perdas de 0,69%, aos 612,14 pontos.
  • Na Bolsa de Frankfurt, o índice DAX terminou o dia em queda de 1,44%, aos 24,3 mil pontos.
  • O índice FTSE 100, da Bolsa de Londres, fechou o pregão em baixa de 0,43%, aos 10,2 mil pontos.
  • O CAC 40, da Bolsa de Paris, recuou 1,09%, aos 8,1 mil pontos.
  • O índice Ibex 35, de Madri, encerrou a sessão caindo 0,95%, aos 17,8 mil pontos.

Trump diz que negociações com Irã seguem, mas ameaça novos ataques

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou, nessa quinta-feira (7/5), que não houve violação do cessar-fogo com o Irã, mesmo com ataques norte-americanos no Estreito de Ormuz. Apesar da ofensiva, ele destacou que as negociações para chegar a um acordo continuam.

“Eles nos provocaram hoje. Nós os pulverizamos… Se não houver trégua, você não vai precisar saber. Você só vai ter que olhar para um grande brilho saindo do Irã. E é melhor eles assinarem o acordo rápido”, disse Trump ao ser questionado por jornalistas.

O líder norte-americano também ameaçou o país com mais ataques, caso não se chegue a um acordo logo. “As negociações estão indo muito bem, mas eles têm que entender: se não for assinado, eles vão sofrer muito”, afirmou.

Mais cedo, Trump já tinha minimizado os ataques, dizendo que foram só um “tapinha” e que não houve violação da trégua. “Foi só um tapinha. O cessar-fogo continua em vigor”, ironizou em entrevista à ABC News.

O governo iraniano acusou os EUA de terem violado o acordo ao realizar ataques contra embarcações e áreas próximas ao Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo.

Ataques colocam cessar-fogo em xeque

As tensões entre EUA e Irã voltaram a crescer após relatos de novos ataques militares próximos ao Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo e ponto sensível do conflito.

Segundo informações divulgadas pela Fox News, militares dos EUA realizaram ataques contra instalações iranianas nas regiões de Qeshm e Bandar Abbas.

As duas áreas ficam localizadas nas proximidades do Estreito de Ormuz, corredor marítimo que conecta o Golfo Pérsico ao Oceano Índico e concentra parte significativa do comércio global de petróleo.

A agência iraniana Fars informou que explosões foram ouvidas tanto na cidade portuária de Bandar Abbas quanto na ilha de Qeshm. Já a agência estatal Mehr afirmou que os sistemas de defesa aérea também foram ativados em Teerã.

Em resposta aos ataques, um oficial militar iraniano afirmou à emissora estatal IRIB que forças iranianas reagiram à ofensiva norte-americana. “Unidades inimigas foram alvejadas por mísseis iranianos e forçadas a fugir após sofrerem danos”, disse a autoridade, segundo a televisão iraniana.

Os episódios acontecem em meio a um cessar-fogo envolvendo EUA, Israel e Irã, prorrogado no fim de abril por Donald Trump.

O Estreito de Ormuz é um canal marítimo estratégico localizado entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, considerado o “gargalo” mais importante do mundo para a energia por concentrar cerca de 20% a 30% do petróleo mundial e grande parte do gás natural liquefeito (GNL). O estreito é crucial para a economia global.

Estados Unidos criam 115 mil vagas de emprego em abril

A economia dos EUA registrou a criação de 115 mil novas vagas de emprego fora do setor agrícola em abril, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira (8/5) pelo Departamento do Trabalho do governo norte-americano.

O resultado veio muito acima das projeções do mercado, que indicavam a criação de 65 mil vagas. A taxa de desemprego foi de 4,3%.

No último relatório, o “payroll” mostrou a abertura de 185 mil vagas no país e uma taxa de desemprego de 4,3%.

Analistas temem que a aceleração do mercado de trabalho nos EUA leve a um novo aperto da política monetária pelo Fed. Por outro lado, dados fracos de emprego podem alimentar as projeções mais pessimistas de que a economia dos EUA entre em recessão nos próximos meses.

Na última reunião do Fed, na semana passada, os juros foram mantidos no patamar entre 3,5% e 3,75% ao ano, acompanhando as projeções da maioria dos analistas do mercado.

O próximo encontro da autoridade monetária para definir a taxa de juros está marcado para os dias 16 e 17 de junho.

A taxa de juros é o principal instrumento dos bancos centrais para controlar a inflação. Segundo dados do Departamento do Trabalho, a inflação nos EUA ficou em 3,3% em março, na base anual. Na comparação mensal, o índice foi de 0,9%. A meta de inflação nos EUA é de 2% ao ano.

Fonte: Metrópoles