O ataque do presidente do TST (Tribunal Superior do Trabalho), Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, a parte de seus colegas na Corte levantou suspeitas de que ele tenta, com a polêmica, se colocar na lista de candidatos a uma vaga no STF.
Como não existe espaço vazio na política, a rejeição do nome de Jorge Messias pelo Senado desencadeou uma movimentação para ocupar o posto de potencial indicado à Corte. A nomeação cabe ao presidente da República, mas precisa ser aprovada pelos senadores. Luiz Philippe é ligado ao grupo do ministro do Trabalho, o petista Luiz Marinho.
Em sessão no TST, Luiz Philippe afirmou ser “vermelho”, usando uma analogia feita pelo ministro Ives Gandra, que, em palestra, disse que a Corte se divide entre ministros vermelhos (mais alinhados aos trabalhadores) e azuis (menos ativistas em questões trabalhistas).
Na sequência, Luiz Philippe elevou o tom e prometeu cortar o salário de ministros que se ausentarem das sessões para dar aulas remuneradas em cursos de direito trabalhista, sugerindo que eles vendem como vencer causas no tribunal. Não é a primeira vez que o presidente do TST acusa colegas de comportamento antiético.
Ao adotar o estilo de confronto, Luiz Philippe tanta se conectar com o discurso do presidente do STF, Edson Fachin, que defende um código de conduta para magistrados num momento de fragilidade da instituição. Movimento que agrada a uma ala do PT e do próprio Palácio do Planalto que defende mudanças na correlação de forças do STF.
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A coluna revelou que, em março, o presidente do TST ameaçou colegas numa reunião para a escolha de nomes para o CNJ (Conselho Nacional de Justiça). Aos gritos, intimidou colegas em uma reunião reservada com frases como “vocês não sabem o que vai acontecer se não for como eu quero” e fez menções a conversas privadas com ministros.
Em entrevista à coluna à época, Luiz Philippe admitiu que se exaltou na reunião e justificou que estava “zelando pela integridade da Corte”.
A crise pode se agravar porque ministros avaliam apresentar interpelação criminal contra Luiz Philippe, sob a acusação de que ele estaria atribuindo aos “colegas azuis” a defesa de interesses do capital e das empresas. Esse grupo também iniciou uma espécie de “auditoria” sobre todos os atos da presidência.
Fonte: Metrópoles




