Estação da Luz da CPTM recebe ação gratuita de psicoterapia e amplia acesso à saúde mental; veja como participar

A CPTM oferece todas as semanas, na Estação da Luz, uma ação gratuita de atendimento psicológico que tem ampliado o acesso da população a serviços de saúde mental em um dos pontos mais movimentados da capital paulista. O projeto integra o serviço de psicoterapia do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas e é realizado em parceria com o Museu da Língua Portuguesa, às quintas-feiras, no saguão da estação, 

O atendimento é feito de forma direta: a pessoa chega ao local e é acolhida por um dos psicólogos disponíveis, sem necessidade de agendamento prévio. A iniciativa, chamada “Conversa com um psicoterapeuta”, foi criada para testar modelos mais acessíveis de escuta clínica fora do ambiente hospitalar. Desde o início das atividades, em 29 de janeiro, o projeto já alcançou cerca de 950 pessoas entre visitantes pontuais e regulares. A iniciativa atende em média de 80 a 90 pessoas por dia de atividade. 

LEIA TAMBÉM: SP confirma segundo caso importado de sarampo; Governo reforça importância da vacinação

Segundo a coordenadora do projeto, Ludmila Frateschi, a proposta surgiu dentro do serviço de psicoterapia do hospital, com o objetivo de alcançar públicos que não costumam acessar o sistema tradicional de atendimento. A escolha da estação levou em conta o fluxo intenso de pessoas e a diversidade do público, em parceria com o Museu da Língua Portuguesa.

Entre os principais resultados observados estão a criação de vínculo com o serviço e a ampliação do acesso à escuta psicológica em um espaço público

Atendimento acessível em espaço público

A iniciativa busca oferecer escuta qualificada em um ambiente de fácil acesso, inserido na rotina de deslocamento dos usuários do transporte público.

“Aqui no saguão da estação tem de tudo;Já recebemos pessoas do país inteiro, porque muita gente frequenta e vive em São Paulo, sendo de diferentes extratos sociais, indo de pessoas em situação de rua, vendedores ambulantes, trabalhadores da estação, funcionários do museu, até pessoas de classe média alta, pessoas que vêm de outra cidades visitar, conhecer o museu. E no geral são pessoas que estão se sentindo solitárias, pressionadas com questões emocionais e de saúde mental, que sentem que podem se beneficiar de conversar com alguém, tanto pontualmente como regularmente”, explica Ludmila.

LEIA TAMBÉM: Pesquisa Origem-Destino: moradores da região de Jundiaí serão entrevistados para melhorias na mobilidade

Modelo de atendimento

Os atendimentos são realizados no saguão da Estação da Luz. Foto: Divulgação

O projeto também funciona como um campo de pesquisa sobre formatos alternativos de psicoterapia, baseado em atendimentos pontuais e na atuação coletiva dos profissionais.

“A gente se baseia na ideia do psicanalista Tales Ab’Sáber, de trabalhar em grupo como analistas, se baseando na possibilidade de cada encontro ser único. Mas para caso a pessoa volte regularmente, trabalhar com ela com um pensamento de grupo sobre o caso dela”, afirma a coordenadora do projeto.

A proposta permite tanto atendimentos únicos quanto retornos espontâneos, ampliando as possibilidades de cuidado conforme a necessidade de cada pessoa.

Impacto e retorno dos usuários

Entre os principais resultados observados estão a criação de vínculo com o serviço e a ampliação do acesso à escuta psicológica em um espaço público.

“Sinto que as pessoas se sentem bem de ter um espaço para conversar, que as demandas de saúde mental delas se tornam cada vez menores e muito menos graves. Isso é uma aposta que nós fazemos na vida quando se torna psicanalista, pois não estamos aqui escutando passivamente, estamos trabalhando para que a vida dessas pessoas possa melhorar a partir dos atendimentos”, afirma Ludmila.

Outro indicativo do alcance da iniciativa é o crescimento do público por meio de recomendações espontâneas.

“Nós notamos que uma espécie de boca a boca começou a acontecer, de pessoas que vêm e dizem que foi por indicação de alguém que nós já atendemos, e isso nos faz sentir que o plantão está funcionando e melhorando a vida dessas pessoas”, informa  Ludmila.

Tanya Spindel, uma das psicanalistas que participa do projeto, também destaca os efeitos percebidos após os atendimentos.

“As pessoas após os atendimentos comentam como se sentem gratas, mais tranquilas, mais leves, mais motivadas. Isso torna todo nosso trabalho durante os plantões recompensador, é para isso que estamos fazendo os atendimentos, para ajudar as pessoas”, diz.

Fonte: Agencia SP