Para além de ser a maior cidade do Brasil, São Paulo já está consolidada como o principal polo econômico do país. Um dado que representa essa grandeza é o número de deslocamentos diários: cerca de 35,7 milhões de viagens.
O Metrô de São Paulo é responsável pela pesquisa Origem-Destino (OD) de 2023, que revela esse e outros dados relevantes, como a paridade entre os deslocamentos por transporte coletivo, a pé e individual: 12,3 milhões, 10,5 milhões e 12,9 milhões, respectivamente. Esses índices revelam a complexidade dos desafios que envolvem a mobilidade urbana, que passam por questões como políticas públicas, eletrificação e revitalização do centro da metrópoles — pilares fundamentais para o desenvolvimento urbano sustentável da cidade.
Para debater o tema, o Metrópoles promoveu, na manhã de terça-feira, 28 de abril, o talk “Cidades inteligentes: tecnologia como motor do desenvolvimento urbano”, no hotel Tivoli Mofarrej São Paulo, com transmissão online pelo YouTube do portal.
O encontro reuniu líderes e especialistas que discutiram, entre outros tema, o papel da energia limpa na mobilidade do futuro e como a transformação do centro da cidade é um dos pontos-chave para o desenvolvimento urbano.
Mobilidade como ferramenta de inclusão
A capital paulista é referência nacional em transporte coletivo e reconhecida pelo pioneirismo na implantação do metrô, inaugurado em 1974. São mais de 370 quilômetros de extensão da rede metroferroviária, pela qual circulam 14 milhões de passageiros por dia útil, ainda segundo a pesquisa OD.
Pensar na expansão desse serviço é pensar na qualidade de vida do cidadão, uma vez que o transporte coletivo cumpre um papel social que envolve não só a economia, mas também saúde, educação e cultura.
Durante sua fala, o diretor de Engenharia e Planejamento do Metrô de São Paulo, Roberto Torres, destacou que o conceito de mobilidade precisa ser ampliado:
“Mobilidade urbana é conectar pessoas a lugares com acesso democrático, reduzindo desigualdades e trazendo previsibilidade.”
Segundo ele, a melhoria no deslocamento influencia diretamente o bem-estar social.
“Ao ampliar a capacidade, a extensão e a qualidade dos nossos transportes, garantimos que as pessoas tenham mais tempo com suas famílias. O tempo é o bem mais precioso.”
Já o especialista em urbanismo e cidades inteligentes, Wilson Levy, salientou:
“Mobilidade é o que garante o acesso democrático aos benefícios da urbanizado. Morar em uma grande cidade tem benefícios e ônus e a missão é encontrar esse equilíbrio.”
Ao longo dos painéis, ficou claro que a mobilidade urbana deixou de ser apenas uma questão de deslocamento e passou a ocupar um papel central no desenvolvimento social e econômico.
Inclusive, Celso Caldeira, secretário municipal de Mobilidade Urbana e Transporte, ressaltou que, nos últimos 12 anos, essa democratização tem sido prioridade do Estado:
“Precisamos, sim, focar na expansão e integração física para oferecer mais conforto e rapidez ao usuário. Mas, sobretudo, priorizar a política tarifária, que beneficia os cidadãos e viabiliza o acesso para todos.”
Desafios de escala e investimento
Apesar dos avanços, os desafios são proporcionais ao tamanho da cidade. Entre os principais pontos levantados estão o alto custo de expansão da infraestrutura e a necessidade de integração entre diferentes modais.
A previsão é de expansão de mais 210 quilômetros na malha metroferroviária nos próximos 15 anos, com custo médio estimado em R$ 1,2 bilhão por quilômetro. Para isso, os especialistas destacaram a importância das parcerias público-privadas.
Com isso, os projetos precisam ser economicamente sustentáveis. Nesse contexto, estão previstas, entre outras medidas, a eletrificação de ônibus e também de vans. A lógica é que os investimentos se paguem ao longo do tempo.
“É preciso ressaltar os ganhos sociais provenientes dessa expansão, como a diminuição no tempo de viagem, a redução de acidentes, a menor emissão de poluentes e o aumento da produtividade urbana”, explicou Roberto Torres.
Centro de São Paulo no foco da transformação
Outro eixo central do debate foi a revitalização da região central da capital. Autoridades e pesquisadores defenderam a reocupação do centro como estratégia para impulsionar o desenvolvimento urbano.
Para o presidente da SP Urbanismo, Pedro Fernandes, enfrentar os desafios do centro é adotar uma abordagem também ambiental:
“Para alcançarmos uma cidade mais compacta e eficiente, é preciso reduzir distâncias, valorizar o patrimônio histórico e trazer dinamismo econômico e cultural.”
A proposta passa por estimular o uso misto dos espaços, com moradia, comércio e serviços, além de incentivar a ocupação de edifícios subutilizados. Medidas como redução de impostos e criação de hubs de mobilidade também estão no radar.
“A ideia é transformar o centro em um espaço de permanência, e não apenas de passagem, resgatando seu dinamismo econômico e cultural, de forma que o cidadão participe ativamente desse planejamento urbano”, destacou a pesquisadora Stella Hiroki.
Nesse contexto, Guilherme Afif Domingos também citou a questão dos prédios históricos do centro.
“Planejamos não só a restauração desses espaços, mas também a qualificação da mão de obra, com profissionais preparados para essas demandas.”
Caminhos para o futuro
Entre os consensos do encontro está a necessidade de integrar políticas públicas, tecnologia e participação social. A presença de moradores, o estímulo à economia local e o envolvimento da população são considerados fatores essenciais para garantir mudanças efetivas.
A avaliação final é que cidades inteligentes não se constroem apenas com inovação tecnológica, mas com planejamento de longo prazo e foco na redução das desigualdades e no aumento da segurança, transformando a mobilidade em um instrumento de inclusão e desenvolvimento.
Assista a live completa no YouTube do Metrópoles:
Fonte: Metrópoles




