Um sócio do MC Poze do Rodo transferiu R$ 337 mil para um policial militar no Rio de Janeiro, de acordo com a representação da Polícia Federal (PF) que levou à prisão do funkeiro na operação Narco Fluxo, deflagrada na última quarta-feira (15/4) contra um esquema de lavagem de dinheiro do crime organizado. A transação, que chamou a atenção da equipe de investigação, foi identificada em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Segundo a PF, o 3º sargento Rodrigo Armelau Damião seria “suspeito de atuar como receptor das supostas sobras do grupo”. Procurado pela reportagem, o PM disse que não tinha conhecimento sobre a investigação e que o valor recebido é referente à venda de uma casa, sem dar detalhes.
Marlon Brendon Couto Coelho da Silva, o Poze, e seu sócio Ellyton Rodrigues Feitosa foram presos pelo recebimento de valores oriundos de casas de apostas e rifas ilegais. A investigação ainda apontou que o esquema também dissimulava lucros obtidos com o tráfico internacional.
Segundo a PF, Ellyton seria um “gestor administrativo que dá aparência legal aos fluxos financeiros” de Poze, atuando como “uma câmara de compensação interestadual”. Por meio da empresa Poze Records, o operador recebeu R$ 1,6 milhão de Viviane Noronha, esposa do funkeiro.
A conta do operador também teria sido o destino de R$ 300 mil da RSS Produção, empresa de MC Ryan SP, apontado como líder do esquema, além de R$ 400 mil da Tá Jogado Pretão, do influenciador Daniel Alves Nascimento, o Danielzinho Grau.
O Metrópoles procurou o policial Rodrigo Armelau Damião para comentar a citação na representação da Polícia Federal. Até o momento da publicação, não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.
Mc Poze
Poze do Rodo foi preso em casa, em um condomínio no Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro. Após a prisão, foi levado para a sede da Polícia Federal e, em seguida, encaminhado ao Presídio José Frederico Marques, em Benfica, na zona norte da capital fluminense.
Na audiência de custódia, sua prisão foi mantida pela Justiça.
Segundo a defesa, Poze permaneceu em silêncio durante o depoimento e ainda não teve acesso completo ao conteúdo da investigação.
Líder do esquema
MC Ryan SP foi preso na manhã da última quarta-feira (15/4), durante a operação Narco Fluxo. Além dele, outros influenciadores foram detidos, como o funkeiro Poze do Rodo e Raphael Sousa, dono da página de fofocas Choquei.
De acordo com a investigação, MC Ryan era o principal beneficiário da organização criminosa e desempenhava diferentes papéis no esquema. Ele utilizava empresas dele ligadas à produção musical e a própria fama nas redes sociais para mesclar receitas legítimas com dinheiro ilícito de apostas ilegais e rifas digitais. As autoridades citam um vínculo estrutural do esquema com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
O artista também teria transferido participações societárias para “laranjas”, inclusive familiares, para ocultar seu patrimônio. Após a lavagem, o dinheiro era reinserido na economia formal a partir da aquisição de imóveis de alto padrão, veículos de luxo, joias e outros ativos de alto valor.
A PF ainda aponta que Ryan pagava operadores de mídia para publicar conteúdos favoráveis a ele e promover suas plataformas de apostas. A ação ainda teria o objetivo de mitigar eventuais crises de imagem relacionadas às investigações.
Em nota, a defesa de MC Ryan informou que não teve acesso ao procedimento e afirmou confiar que os esclarecimentos que serão prestados demonstrarão a verdade dos fatos.
“Ressalta-se, contudo, a absoluta integridade de MC Ryan, bem como a lisura de todas as suas transações financeiras. Todos os valores que transitam por suas contas possuem origem devidamente comprovada, sendo submetidos a rigoroso controle e ao regular recolhimento de tributos, o que sempre foi observado de maneira contínua e responsável”, disseram os advogados.
Fonte: Metrópoles














