A Prefeitura de São Paulo deu ordem de despejo para a Cooperativa de Catadores Autônomos de Papel, Aparas e Materiais Reaproveitáveis (Coopamare), que ocupa há 37 anos um espaço em Pinheiros, bairro rico na zona oeste da cidade. Os trabalhadores alegam que receberam neste mês, sem aviso prévio da gestão Ricardo Nunes (MDB), um comunicado que estabeleceu 15 dias para a desocupação.
Em nota ao Metrópoles, a Subprefeitura de Pinheiros, comandada por Ygor Costa, informou que já ofereceu quatro áreas à cooperativa para a continuidade das atividades de reciclagem, mas nenhuma delas foi aceita até o momento. “Elas estão em locais estratégicos, considerando a logística de trabalho dos cooperados. Outras localidades estão sob avaliação da subprefeitura”, destacou.
A administração municipal também informou que a permissão do uso do local atual, na Rua Galeno de Almeida, está cancelada desde 2023 devido a “riscos de incêndio que o acúmulo de materiais potencialmente inflamáveis oferece à estrutura viária, conforme laudos técnicos”. Além disso, apontou que a defesa apresentada pela Coopamare está em análise e que o espaço será “requalificado com objetivo de ampliar as atividades sociais na região”.
Cooperativa de reciclagem
No entanto, a Coopemare, tem vigente um Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), documento. O laudo, que atesta condições de segurança contra fogo, vencerá apenas em agosto de 2027.
Os catadores argumentam que os locais alternativos apresentados pela subprefeitura não atendem às necessidades da cooperativa. Os trabalhadores pleiteam um galpão para serem realocados, não outro viaduto.
“Estão querendo tirar a Copamare daqui [Pinheiros], para colocar outra entidade aqui também. E os espaços [oferecidos pela gestão Nunes] são todos pequenos, não dá nem a metade do nosso espaço aqui. Se a gente for levar as coisas para lá, não cabe nem o nosso caminhão, o carro com a empilhadeira, e muito baixo também, não cabe nem colocar uma caçamba lá para fazer troca”, lamentou um representante da cooperativa.
A Coopamare nasceu em Pinheiros, em 1989, a partir de um projeto de apoio a pessoas em situação de rua. Considerada a cooperativa de reciclagem mais antiga do Brasil, a entidade sem fins lucraticos recupera aproximadamente 100 toneladas de material reciclável por mês. No total, a organização é composta por cerca de 80 catadores, entre cooperados e associados, e mais 120 catadores avulsos, que passam pela região diariamente.
Fonte: Metrópoles




