Belo Horizonte — O Instituto Raoni divulgou uma nota neste domingo (21/6) negando que o cacique Raoni Metuktire ou sua família tenham rejeitado a aeronave disponibilizada pelo governo de Minas Gerais para transferi-lo de Mato Grosso a São Paulo. A manifestação ocorre após o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) afirmar nas redes sociais que a família recusou o avião enviado pelo Corpo de Bombeiros mineiro.
Segundo o instituto, a aeronave mineira chegou a Sinop (MT) na noite de quinta-feira (18/6), após articulação da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai). No entanto, a equipe médica responsável pelo atendimento do líder indígena avaliou que o tempo de deslocamento, superior a nove horas, com parada para abastecimento em Goiânia, poderia representar riscos diante da gravidade do quadro clínico.
“O ideal era garantir a chegada a São Paulo com a maior rapidez e segurança possíveis”, afirmou a entidade. De acordo com a nota, a decisão de utilizar outra aeronave foi tomada com base em critérios técnicos, médicos e operacionais, com ciência e apoio da família.
O instituto informou que, diante da situação, o governo de Mato Grosso disponibilizou uma UTI aérea modelo Cheyenne III, capaz de realizar o trajeto até São Paulo em cerca de quatro horas, sem necessidade de escalas para abastecimento.
“É falsa a afirmação de que o Cacique Raoni teria recusado uma UTI aérea ou exigido um jato para sua transferência. Não houve recusa arbitrária nem exigência pessoal”, destacou o comunicado.
No sábado (20/6), Cleitinho publicou um vídeo afirmando que a família do líder indígena não quis utilizar a aeronave enviada por Minas Gerais. “Chegando lá, simplesmente a família não quis o avião do Corpo de Bombeiros, queria um avião pressurizado”, declarou o senador.
O Instituto Raoni classificou a versão como “inverdade cruel, preconceituosa e tendenciosa” e criticou a disseminação de informações sem consulta prévia à família, ao hospital ou à própria instituição.
Entenda o caso
Raoni, de 93 anos, foi transferido para o Hospital São Paulo (HSP/Unifesp) na sexta-feira (19/6), após permanecer internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no norte de Mato Grosso. O líder indígena apresentava quadro de obstrução intestinal, desidratação e pneumonia aspirativa.
Neste sábado, ele passou por uma cirurgia de desobstrução intestinal realizada por técnica minimamente invasiva. Segundo boletim médico divulgado pelo hospital, o procedimento foi concluído sem complicações.
Após a cirurgia, Raoni foi encaminhado à UTI, onde segue recebendo antibioticoterapia e tratamento de suporte clínico. De acordo com a equipe médica, o estado de saúde é estável dentro da gravidade do quadro e permanece sob acompanhamento contínuo.
Fonte: Metrópoles




