Quem perdeu o espetáculo astronômico que chamou a atenção dos brasileiros na noite de quarta-feira (17/6) ainda tem novas oportunidades de observar a Lua ao lado de planetas brilhantes. Nestas quinta e sexta-feiras (18 e 19/6) , a configuração celeste muda gradualmente à medida que a Lua avança em sua órbita ao redor da Terra, criando novos cenários para observação logo após o pôr do sol.
De acordo com a astrônoma Josina Nascimento, do Observatório Nacional, o público poderá continuar identificando facilmente os astros no horizonte oeste. A ordem dos corpos celestes, a partir do horizonte, será Mercúrio, Júpiter, Vênus e Lua.
Na noite desta quinta-feira, a Lua crescente aparece mais alta no céu em relação a Vênus do que no dia anterior.
Segundo Josina, a distância aparente entre os dois astros será de aproximadamente 15 graus de arco — o equivalente à altura de uma mão aberta com o braço esticado. Apesar de não estarem realmente próximos no espaço, a posição dos astros cria a impressão visual de uma aproximação, fenômeno conhecido como conjunção.
Vênus segue como objeto mais brilhante do céu, facilitando a identificação mesmo para observadores sem experiência em astronomia.
Como estará o céu na sexta-feira
Na sexta-feira (19/6), a Lua aparecerá ainda mais alta no céu, aproximadamente duas mãos acima de Vênus quando observada com o braço esticado.
A novidade será a presença de Regulus, a estrela mais brilhante da constelação de Leão, logo abaixo da Lua. A combinação entre o satélite natural da Terra, a estrela e os planetas deve proporcionar mais uma noite de observação favorável para quem acompanhar o fenômeno.
Por que os astros parecem alinhados?
Embora pareça que os planetas e a Lua estejam formando uma fila no céu, o fenômeno é resultado da posição das órbitas no Sistema Solar.
Os planetas visíveis a olho nu — Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno — orbitam o Sol em planos muito próximos ao plano da órbita terrestre. A Lua também segue uma trajetória semelhante, com inclinação de apenas cinco graus.
Por isso, todos esses corpos celestes aparecem percorrendo praticamente o mesmo caminho aparente no céu, chamado de eclíptica. É nessa faixa que também se encontram as constelações do zodíaco.
Segundo a astrônoma, aproximações aparentes entre planetas ou entre a Lua e os planetas são fenômenos relativamente frequentes. Em média, conjunções entre planetas ocorrem a cada 13 ou 15 meses, enquanto a Lua passa visualmente próxima de diferentes planetas todos os meses.
Como observar
Para observar os planetas e a Lua, não é necessário usar telescópios ou binóculos. O ideal é procurar um local com vista livre para o horizonte oeste logo após o pôr do sol.
Mercúrio exige atenção especial, pois aparece muito próximo ao horizonte e desaparece rapidamente. Já Vênus e Júpiter permanecem visíveis por mais tempo e podem ser identificados facilmente pelo brilho intenso.
A recomendação dos astrônomos é acompanhar o céu em dias consecutivos. Como a Lua muda de posição perceptivelmente de uma noite para outra, os observadores conseguem visualizar seu deslocamento entre os planetas e as constelações ao longo da faixa zodiacal.
Fonte: Metrópoles



