Israel intensifica ataques no Líbano após Hezbollah rejeitar cessar-fogo

Grupo exige retirada total de tropas do sul do país; ofensiva já deixou mais de 3.500 mortos e agrava a crise humanitária na região

KAWNAT HAJU / AFPHomem inspeciona os destroços no local de um ataque israelense que atingiu a cidade costeira de Tiro, no sul do Líbano

Israel lançou novos ataques nesta sexta-feira (5) no sul do Líbano e emitiu ordens de evacuação em várias cidades da região, após o grupo pró-Irã Hezbollah rejeitar um cessar-fogo.

O Líbano foi arrastado para a guerra no Oriente Médio em 2 de março, desencadeada pelos ataques israelenses e americanos ao Irã em 28 de fevereiro, quando o Hezbollah atacou Israel em solidariedade após a morte do líder supremo iraniano.

Segundo o Ministério da Saúde libanês, os ataques israelenses mataram pelo menos 3.526 pessoas desde março. Do lado israelense, 27 soldados e um terceirizado civil morreram.

Este conflito dificulta as negociações entre Washington e Teerã, que exige um cessar-fogo completo no Líbano como parte de qualquer possível acordo, e também tensionou as relações entre os Estados Unidos e Israel.

No início desta semana, o presidente dos EUA, Donald Trump, criticou seu aliado e primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, chamando-o de “louco” por ameaçar bombardear Beirute e colocar em risco as negociações com o Irã.

Após dois dias de negociações em Washington, representantes dos governos israelense e libanês concordaram com um cessar-fogo.

No entanto, o movimento pró-Irã Hezbollah, que exerce considerável influência no Líbano, rejeitou o acordo e exigiu um cessar-fogo abrangente e a retirada completa de Israel do sul do Líbano.

Desde o início da guerra com o Irã, Israel realizou sua incursão mais profunda em território libanês em duas décadas.

O porta-voz em árabe do exército israelense, Avichay Adraee, alertou nesta sexta-feira os moradores de várias cidades no sul do Líbano, um histórico reduto do Hezbollah que frequentemente lança ataques contra o norte de Israel a partir dali.

“Qualquer pessoa que esteja perto de operativos do Hezbollah, suas instalações ou suas armas está colocando sua vida em perigo!”, publicou Adraee no X.

A NNA, agência de notícias oficial do Líbano, relatou um deslocamento em massa de pessoas em três das aldeias afetadas e um ataque a uma delas.

‘Liberdade para matar’

Durante a noite, ataques aéreos israelenses mataram sete pessoas na cidade libanesa de Tiro, segundo uma fonte da Defesa Civil Libanesa que falou à AFP. Quatro pessoas morreram perto do Hospital Jabal Amel e outras três em uma área residencial.

“Eu estava no quarto do hospital onde minha mãe estava internada quando houve uma forte explosão. Ela já havia escapado milagrosamente do primeiro ataque [na segunda-feira], quando estava na UTI”, disse à AFP Marwan Ghorayeb, um oficial aposentado das forças de segurança.

“Minha casa na aldeia foi destruída, minha casa em Tiro também; não nos restou nada além da roupa do corpo”, acrescentou.

O líder do Hezbollah, Naim Qasem, rejeitou na quinta-feira (4) o cessar-fogo anunciado por enviados libaneses e israelenses em Washington, que estipulava que o grupo interromperia seus ataques contra Israel.

“O cessar-fogo deve ser global (…) sem que o inimigo israelense tenha liberdade para matar”, declarou Qasem, e instou o governo libanês a pôr fim “à farsa e à humilhação das chamadas negociações diretas” com Israel.

O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, declarou que o exército “continuará suas operações aéreas e terrestres (…) enquanto continuar desmantelando a infraestrutura terrorista”.

Ele também afirmou que as forças israelenses estão “livres” para atacar Beirute, a capital libanesa, caso o Hezbollah ataque comunidades israelenses.

Enquanto isso, a ONU dobrou seu apelo por ajuda humanitária para o Líbano nesta sexta-feira, elevando o valor para US$ 640 milhões (R$ 3,2 bilhões).

“O deslocamento repetido, a capacidade insuficiente de acomodação e as perspectivas limitadas de retorno seguro exacerbam a vulnerabilidade”, declarou o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).



Fonte: Jovem Pan