‘Acontece nas melhores famílias’ diz Netanyahu sobre desentendimento com Trump

Mais cedo, o presidente dos EUA admitiu ter falado de forma ‘raivosa’ com o primeiro-ministro israelense em conversa pelo telefone realizada no último fim de semana

ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFPPrimeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu e o presidente dos EUA, Donald Trump

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta quarta-feira (3) ter discutido com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mas que o desentendimento será resolvido. “Às vezes, como acontece nas melhores famílias, nós temos estes desentendimentos táticos. Nós sempre achamos uma forma de solucioná-los”, disse o primeiro-ministro em entrevista a CNBC.

Netanyahu disse que não entraria em detalhes sobre a conversa com Trump, mas afirmou que os assuntos em que os dois concordam superam as desavenças. “Nós concordamos em tantos pontos e entramos em consenso naquilo que é o principal. Podemos discordar pela manhã e tomar medidas conjuntas à tarde”, afirmou.

Donald Trump já tinha admitido, também nesta quarta, ter falado de forma “raivosa” com Netanyahu, em conversa telefônica realizada no último fim de semana. Na terça-feira (2), o site Axios revelou que, durante o contato, o norte-americano chamou o premiê de “louco” e o pressionou a interromper a escalada militar contra o Líbano.

A declaração de Trumo foi feita em entrevista ao podcast “Pod Force One”, em que ele confirmou o desentendimento ao ser questionado sobre o diálogo. “Fiquei um pouco perturbado com as constantes brigas dele com o Líbano, sabe?”, declarou o presidente.

Apesar de reconhecer a discussão, o republicano afirmou em seguida que se dá “muito bem” com o líder israelense.

Líbano x Hezbollah

O premiê disse que Trump “é o melhor amigo que Israel já teve” e entende que o Líbano foi feito refém pelo Hezbollah, buscando justificar as ofensivas israelenses em Beirute.

“Estamos tentando enfraquecer o Hezbollah para que um Líbano livre possa emergir, precisamos desmilitarizar o Líbano. O Hezbollah não pode invadir Israel e fazer como o Hamas fez”, explicou, sem detalhar as declarações de Trump na ligação que realizaram na semana. “Estamos enfrentando um inimigo Hezbollah que quer nos destruir”.

Sobre a guerra com o Irã, Netanyahu alegou que o regime iraniano “está muito mais fraco”, mas ressaltou que o conflito ainda não terminou. Segundo ele, é preciso encontrar uma maneira de retirar o material nuclear de Teerã e as forças israelenses e americanas estão preparadas para entrar no Irã, se necessário.

“Trump e eu concordamos nos principais pontos em relação ao Irã. Se for necessária uma escalada militar, acatarei a decisão de Trump. Ele está avaliando várias opções. Conversamos uma vez a cada dois dias”, mencionou.

Netanyahu alertou que é possível uma opção militar para abrir o Estreito de Ormuz, um dos principais pontos de divergência para alcançar um entendimento para encerrar a guerra.

*Com informações do Estadão Conteúdo



Fonte: Jovem Pan