Fernando Sastre dirigia um Porsche azul, que causou um acidente que matou o motorista de aplicativo e deixou outro ferido em 31 de março de 2024. Ele está preso e, até fevereiro, já tinha tido oito pedidos de liberdade negado pela Justiça.
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) marcou para o dia 29 de outubro de 2026 o júri popular do empresário Fernando Sastre de Andrade Filho, acusado de matar o motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana ao dirigir um Porsche e atingir o carro da vítima, no Tatuapé, Zona Leste de São Paulo.
Sastre dirigia um Porsche azul, que causou um acidente que matou o motorista de aplicativo e deixou outro ferido em 31 de março de 2024. Ele está preso e, até fevereiro, já tinha tido oito pedidos de liberdade negado pela Justiça.
A defesa de Fernando Sastre Filho pedia a revogação da prisão preventiva do empresário, sugerindo que ele fosse solto com a aplicação de medidas cautelares.
Mas a Justiça paulista negou, alegando que há “indícios suficientes” de que o réu estava embriagado quando perdeu o controle do carro esportivo de luxo e bateu na traseira do Renault Sandero do motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana, que morreu.
Marcus Vinicius Machado Rocha, estudante de medicina e amigo do empresário, que estava no banco do passageiro do Porsche, sobreviveu a batida, mas se feriu com gravidade. Câmeras de monitoramento gravaram a colisão.
Ainda de acordo com a juíza Fernanda Perez Jacomini, ainda há fundamentos que decretaram a prisão preventiva de Fernando em 6 de maio de 2024.
“Dos elementos até então coligidos – notadamente os relatos testemunhais, aliados às demais provas constantes dos autos – extraem-se indícios suficientes de que o réu, ao conduzir veículo automotor, possivelmente sob a influência de álcool, colidiu com o veículo da vítima, ocasionando-lhe o óbito”, escreveu a magistrada na decisão.
“A gravidade concreta da conduta, aliada às circunstâncias em que o fato teria ocorrido, revela risco concreto de reiteração delitiva, bem como evidencia a periculosidade do agente”, informou a juíza.
O que diz a defesa

Jonas Marzagão, advogado de Fernando, diz que seu cliente é o único motorista envolvido em um acidente com morte que segue preso em São Paulo.
“Todos os reús nos casos similares estão respondendo em liberdade, inclusive com teste de bafômetro comprovando o uso do bebida alcoólica, e fuga do local de acidente. O que não aconteceu no caso de Fernando. Ele não fez o bafômetro na ocasião porque a polícia não tinha o aparelho para fazer no momento”, falou Marzagão.
“Fernando não pediu socorro porque outras pessoas haviam telefonado e pedido, enquanto era retirado do carro. Mas ele ainda permaneceu no local do acidente até ser liberado pelas autoridades”, completou o advogado.
Porsche amarelo
Além do caso do Porsche azul, outro caso emblemático envolvendo morte no trânsito ocorreu em julho de 2024 na Zona Sul de São Paulo. À época, o empresário Igor Ferreira Sauceda chegou a ser preso preventivamente por usar eu Porsche amarelo para perseguir, atropelar e matar o motociclista Pedro Kaique Ventura Figueiredo.
Laudos concluíram que Igor havia bebido e dirigido em alta velocidade. A polícia o responsabilizou por homicídio com intenção de matar. Mas a defesa dele recorreu e a Justiça soltou o réu em maio de 2025. Um dos motivos para colocá-lo em liberdade foi não ter ameaçado testemunhas.
Homicídio qualificado

Atualmente Fernando Sastre é réu no processo no qual é acusado de homicídio qualificado por “perigo comum” (ter colocado a vida de outras pessoas em risco) cometido na modalidade de “dolo eventual” (por ter assumido o risco de matar o motorista Ornaldo) e “lesão corporal gravíssima” (ao ferir seu amigo Marcus).
Em dezembro de 2025, a defesa do empresário entrou com um habeas corpus no STJ pedindo a mudança do crime de homicídio por dolo eventual para homicídio culposo (sem intenção de matar).
O STJ negou o pedido liminar do habeas corpus. O mérito da solicitação ainda não foi julgado pelos demais ministros.
Os advogados também pediram a retirada da qualificadora do “perigo comum”. No entendimento da defesa, Fernando não colocou outras pessoas em risco durante o acidente que matou Ornaldo e feriu Marcus.
Somente após o julgamento do mérito pelo STJ é que o mesmo pedido será analisado pelo STF. No final do anos passado, Fernando deixou no final do ano passado a penitenciária de Tremembé e seguiu para uma prisão em Potim.
Risco de matar, embriaguez e alta velocidade
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O Ministério Público (MP) acusa Fernando de ter assumido o risco de matar Ornaldo e de machucar gravemente Marcus por embriaguez e dirigir em alta velocidade.
A Promotoria acusa o empresário de beber e provocar um acidente de trânsito a mais de 100 km/h na via. O limite para o trecho é de 50 km/h, mas laudo do Instituto de Criminalística (IC) indicou que o Porsche bateu no Sandero de Ornaldo a 136 km/h.
Quando foi interrogado pela Justiça, por videoconferência em agosto de 2024, Fernando voltou a negar que tenha bebido.
Apesar disso, Marcus falou em seus depoimentos à polícia e à Justiça, entre abril e junho de 2024, que o então amigo Fernando bebeu antes de dirigir.
As imagens que gravaram o acidente mostram o momento em que o Porsche acelerou e bateu na traseira do carro de Ornaldo, na Avenida Salim Farah Maluf, Zona Leste da capital.
Outras filmagens, feitas por testemunhas da colisão e pelas câmeras corporais dos policiais militares que atenderam a ocorrência, também gravaram o que aconteceu antes, durante e depois do acidente fatal.
O Porsche 911 Carrera GTS que o empresário dirigia era avaliado em mais de R$ 1 milhão.
Pessoas que viram a batida disseram aos agentes da Policia Militar (PM) que o empresário guiava em alta velocidade e estava embriagado quando bateu o Porsche no Sandero. Mas a PM não fez o teste do bafômetro em Fernando.
O empresário deixou o lugar a pé com a ajuda da mãe e de um tio que surgiram depois, com a falsa promessa de que o levariam a um hospital porque estaria sangrando.
Nas imagens das câmeras corporais dos PMs é possível ver a mulher dizendo: “Vamos, Fernando!”, para que eles fossem embora.
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Fonte: g1




