Se depender de Anitta, a indústria pode, sim, esperar. No processo de criação do álbum Equilibrvm, lançado em 16 de maio, a cantora decidiu mudar a própria dinâmica de trabalho. E não escondeu que tinha chegado ao limite: ela estava de “saco cheio”.
Depois de um ciclo voltado à exportação do funk com Funk Generation, ela desacelerou e passou a priorizar uma rotina mais silenciosa, com espiritualidade, natureza e distância dos bastidores. O movimento veio, segundo ela, após um período de desgaste com o ambiente profissional.
Pelo menos é o que Anitta garante. Em entrevista coletiva virtual, da qual este colunista do Metrópoles participou, Anitta relatou certos incômodos com relações de trabalho e dinâmicas de poder na indústria. Segundo a cantora, o desânimo foi um dos fatores que a afastaram do ritmo intenso de produção.
“Estava um pouco desacreditada de algumas situações que acontecem na indústria. No trabalho, na relação entre equipe e o ego de pessoas quando tem essa coisa da fama. Embora tenha meu ego inflado para algumas coisas, para outras tenho oposto. E estava bem desestimulada por certas questões e com preguiça de lidar com tudo isso. Queria só viajar, passear e que se dane”, disse.
Com a pausa, Anitta passou a considerar a possibilidade de não lançar novos projetos. A cantora afirmou que, após anos de trabalho contínuo, se sentiu no direito de reduzir o ritmo. A retomada aconteceu quando encontrou uma nova forma de produzir, longe da pressão habitual.
“Eu podia não fazer mais nada e estava exercendo esse meu direito, depois de muita luta, muito trabalho. Para fazer um álbum, eu teria que lidar com tudo isso de novo. Mas consegui encontrar esse equilíbrio de estar na minha casa, fazendo as músicas do álbum, curtindo meus cachorros. Encontrei uma nova forma de trabalhar, que foi com prazer e sem pressão. E foi ótimo”, afirmou.
Do “velho testamento” ao agora
Ainda sobre sua trajetória, Anitta comentou a comparação recorrente com a chamada “Anitta do Velho Testamento”. O rótulo costuma ser usado por fãs para descrever a fase inicial da carreira, ligada ao funk e a uma postura sem filtro. A cantora, no entanto, relativizou essa leitura e apontou para mudanças ao longo do tempo.
“Essa coisa do velho testamento, não sei se acompanho muito essa linha. Comecei minha carreira com 17 anos, na Furacão 2000. Hoje tenho 33 anos, não tem como eu ser a mesma pessoa. A não ser que eu tivesse parado no tempo, mentalmente falando. Não sei se sigo muito esse pensamento de velho testamento. Tem eu, com a minha personalidade e amadurecendo”, disse.
Anitta relacionou também essa transformação ao próprio processo criativo. Segundo ela, as mudanças pessoais acabam refletindo diretamente na forma como constrói seus projetos. A lógica, de acordo com ela, acompanha o que ela vive em cada fase.
“Como sempre fiz meu trabalho de acordo com como estava me sentindo, acaba você se reinventando. Se a gente for olhar para nós mesmos dez anos atrás, somos pessoas completamente diferente do que somos hoje. Se for colocar isso em um trabalho, e eu que sou muito intensa, você acaba se mostrando como alguém que se reinventa”, afirmou.
Mudanças essas que Anitta garante que encara de forma natural e contínua. Para ela, essa movimentação constante faz parte tanto da vida pessoal quanto da carreira.
“Sou uma pessoa que mudou inteira, não mudo só a minha cara fazendo plástica. Mudo por dentro inteira. Daqui a quatro meses, estou totalmente diferente. E espero que para melhor. Não tenho vergonha disso. Isso acaba se refletindo no meu trabalho. Estou me sentindo ótima e está ótimo assim”, declarou.
Fonte: Metrópoles









