Presidente está na Europa, onde participou no sábado (18) do Fórum de Defesa da Democracia, em Barcelona, na Espanha; petista ainda irá para Portugal
Após deixar Barcelona, onde participou do evento de esquerda Global Progressive Mobilisation (GPM), o presidente Lula (PT) já desembarcou em Hanôver, na Alemanha, na manhã deste domingo (19). Na chegada ao hotel na cidade alemã, ele não falou com a imprensa.
Lula cumprirá uma série de compromissos ao longo do dia acompanhado por uma comitiva do governo e representantes dos trabalhadores. Há a previsão de que alguns ministros façam parte da agenda presidencial. São eles:
- Mauro Vieira (Relações Exteriores);
- Dario Durigan (Fazenda);
- Alexandre Silveira (Minas e Energia);
- Luis Manuel Rebelo Fernandes (Ciência, Tecnologia e Inovação, substituto);
- João Paulo Capobianco (Meio Ambiente e Mudança do Clima);
Pelo lado dos trabalhadores, devem acompanhar o presidente os líderes sindicais:
- Claudio Batista da Silva Junior (Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté e região);
- Jamil Davila (Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba);
Wellington Messias Damasceno, do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, ainda não tem presença confirmada.
O primeiro compromisso do presidente em Hanôver acontece às 9h30 no horário de Brasília (14h30, horário local) em uma audiência com o presidente da Fundação Friedrich Ebert, Martin Schulz.
Às 10h45 no horário de Brasília (15h45, horário local), Lula participa de uma recepção oficial nos Jardins do Palácio de Herrenhausen. Em seguida, às 13h de Brasília (18h, horário local), o presidente marca presença na cerimônia de abertura da tradicional Feira Industrial de Hanôver – a maior feira de inovação e tecnologia industrial do mundo.
A última agenda de Lula neste domingo será às 14h45 no horário de Brasília (19h45, horário local) em um jantar empresarial oferecido pelo chanceler da Alemanha ao presidente brasileiro, que contará com a presença de executivos brasileiros e alemães.
Após os compromissos na Espanha e na Alemanha, Lula fará uma rápida visita de Estado a Portugal na terça-feira (21). Em Lisboa, o petista se encontra com o primeiro-ministro Luís Montenegro e com o presidente António José Seguro.
Lula na Espanha
Lula esteve no sábado (18) em Barcelona, na Espanha, onde participou da quarta reunião de alto nível do Fórum de Defesa da Democracia. O presidente fez um duro discurso contra as guerras em curso e em defesa do fortalecimento do multilateralismo.
Em sua fala, Lula destacou que as consequências dos conflitos armados recaem sobre os mais pobres. “O Trump invade o Irã e aumenta o feijão no Brasil, o milho no México, aumenta a gasolina em outro país. É o pobre que vai pagar pela irresponsabilidade de guerras que ninguém quer?”, questionou.
Lula destacou que os países têm outros problemas para enfrentar e o mundo “não está precisando de guerra”. “Temos mais de 760 milhões de pessoas passando fome, temos milhões de pessoas analfabetas, tivemos milhões de pessoas que morreram porque não tinha vacina contra a covid-19”, continuou.
O petista observou que o mundo vive o período com o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial e pediu ação coordenada da Organização das Nações Unidas (ONU).
“Precisamos exigir que o secretário-geral da ONU convoque reuniões extraordinárias, mesmo sem pedir aos cinco membros do Conselho de Segurança”, afirmou.
Além disso, Lula também criticou algumas das principais guerras em andamento, como a invasão da Ucrânia pela Rússia, a destruição da Faixa de Gaza por Israel e o conflito dos Estados Unidos contra o Irã, no Oriente Médio.
“Nenhum presidente de nenhum país do mundo, por maior que seja, tem o direito de ficar impondo regras a outros países. Nenhum. E os cinco membros do Conselho de Segurança da ONU devem se reunir para mudar seu comportamento. Nós não podemos levantar todo dia de manhã, e dormir todo dia a noite, com tuíte de um presidente da República ameaçando o mundo, fazendo guerra. Ou seja, e todos eles tomam decisão sem consultar a ONU, da qual são eles membros e fazem parte do conselho”, disse Lula.
O presidente brasileiro lamentou o silêncio dos países e pontuou que a democracia nas Nações Unidas depende do envolvimento dos países. “Fortalecer o multilateralismo depende de nós”.
Regulação das plataformas digitais
Ainda em seu discurso, Lula criticou o papel das plataformas digitais na desestabilização política dos países e pediu que a própria ONU lidere discussões sobre regras compartilhadas entre as nações.
“A verdade, nua e crua, é que a mentira ganhou da verdade. Esse é o dado concreto. Para mentir, você não tem que explicar. Para se justificar, você tem que se explicar”, afirmou.
Lula cobrou ações da ONU também no tema das plataformas. “Ela precisa funcionar para garantir, por exemplo, que as plataformas sejam reguladas no mundo inteiro, para todo mundo. Não pode o presidente da República interferir na eleição de um país interferir na eleição de outro, pedir voto para outro. Cadê a soberania eleitoral? Cadê a soberania territorial?”, disse.
“Esse é um tema que nós precisamos discutir e nos fazer ouvir. E o cenário que temos que brigar é dentro das Nações Unidas”, completou Lula.
O Fórum Democracia Sempre é uma iniciativa lançada em 2024 envolvendo os governos de Brasil, Espanha, Colômbia, Chile e Uruguai. Em Barcelona, o evento, organizado pelo presidente do Governo da Espanha, Pedro Sánchez, também contou com as participações dos presidentes Yamandú Orsi (Uruguai), Gustavo Petro (Colômbia), Ciyril Ramaphosa (África do Sul), Claudia Sheinbaum (México) e do ex-presidente do Chile, Gabriel Boric.
*Com informações da Agência Brasil e do Estadão Conteúdo
Fonte: Jovem Pan




