Família se despede de pastor italiano assassinado no DF: “Pessoa adorável”

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Em uma cerimônia marcada por orações, homenagens e presença de amigos e familiares próximos, o italiano Orazio Giuliani, pastor evangélico e artista plástico, assassinado em São Sebastião (DF) no sábado (11/4), foi sepultado no Cemitério Campo da Esperança, na tarde desta quinta-feira (16/4).

Com coroas de flores com mensagens de carinho, um grupo reduzido de familiares, amigos e pessoas que prestavam serviço à Orazio acompanharam o sepultamento do idoso de 80 anos, vítima de latrocínio.

Durante a cerimônia, um dos presentes fez um breve discurso e definiu Orazio como uma “pessoa adorável, sem maldade no coração”, e pediu orações, inclusive, para que o coração dos que ficaram seja confortado.

O enteado dele, Thiago Jatobá, 42 anos, relembrou a trajetória do italiano. Segundo ele, Orazio deixou a Itália há cerca de 14 anos, após conhecer a esposa, mãe de Thiago. Inicialmente, evitava viajar ao Brasil por medo de avião, mas, depois que veio, decidiu permanecer no país.

Orazio passou a viver no Jardim Botânico, e comprou um terreno próximo à região, onde mantinha o plano de construir uma igreja. Apesar de não frequentar cultos com frequência, costumava evangelizar pessoas no dia a dia.

Pela barreira linguística, não chegou a realizar muitas pregações. Além do sonho de construir a igreja, planejava estruturar uma parte do plano para comportar os fiéis e seus filhos.

De acordo com a família, ele levava uma rotina regular e geralmente voltava para casa até as 18h. No dia do crime, a demora chamou atenção, quando o enteado e a esposa tomaram a atitude de irem até o local, que encontraram revirado e cheio de marcas de sangue, mas nada de Orazio.

Sobre o crime

O corpo do artista foi encontrado na terça-feira (14/4), após três dias de busca. Vítima de latrocínio – roubo seguido de morte. Os suspeitos de cometerem o crime, os pedreiros Bruno Cruz de Araújo e Leonardo da Conceição, já foram presos.

A Polícia Civil do DF (PCDF) investiga o caso afim de desvendar a motivação do crime.

A esposa do italiano informou que, no sábado (11/4), ele teria visto pelas câmeras instaladas no local que um dos pedreiros teria ficado muito tempo deitado e também ouviu relatos de um vizinho sobre o comportamento.

Após isso, ele teria combinado que pagaria somente metade do valor combinado na diária. Maria Lourdes acredita que isso tenha motivado o crime.

Trajetória de Orazio 

O pastor evangélico deixou três filhos na Itália, além de cinco netos e um bisneto, que nasceu há três meses. Natural de Vico del Gargano, na Itália, o homem era bastante religioso.

No Brasil, sua trajetória começou em 2012, quando veio morar em Brasília, após conhecer sua esposa, Maria Lurdes, três anos antes, na Itália.

Artista plástico, Orazio continuava produzindo obras mesmo após a mudança para o Brasil. Pessoas que trabalharam com ele também o descreveram como um homem gentil e um bom patrão.

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Orazio e sua exposição em Brasília
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Orazio e sua exposição em Brasília

Reprodução/Redes sociais

Orazio tinha 80 anos e morava no Jardim Botânico
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Orazio tinha 80 anos e morava no Jardim Botânico

Reprodução/Redes sociais

Orazio na Embaixada da Itália, em Brasília
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Orazio na Embaixada da Itália, em Brasília

Reprodução/Redes sociais

Um dos quadros pintados por Orazio em sua casa
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Um dos quadros pintados por Orazio em sua casa

João Paulo Nunes/Metrópoles

Escultura feita por Orazio
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Escultura feita por Orazio

João Paulo Nunes/Metrópoles

Porta-retrato de Orazio ao lado de sua esposa, Maria Lurdes
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Porta-retrato de Orazio ao lado de sua esposa, Maria Lurdes

João Paulo Nunes/Metrópoles

Quadro feito por Orazio
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Quadro feito por Orazio

João Paulo Nunes/Metrópoles

Quadro feito por Orazio
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Quadro feito por Orazio

João Paulo Nunes/Metrópoles

A família destacou ainda que ele costumava aceitar trabalhadores para serviços pontuais, sem qualquer desconfiança – como os dois homens responsáveis pelo crime.

“Ele era uma pessoa pessoa muito, muito de coração bom, sabe? Que não faz mal a ninguém, que não prejudica ninguém. Se tiver uma formiguinha andando aqui, ele não mata. Eu matava, mas ele não”, descreveu Maria, viúva de Orazio.

Fonte: Metrópoles