GCM afasta guarda preso por matar entregador com tiro nas costas em SP

Ícone de sino para notificações

O guarda civil metropolitano Reginaldo Alves Feitosa, de 54 anos (imagem em destaque), foi afastado das funções operacionais após matar o entregador Douglas Renato Sccheeffer Zwarg, de 39, com um tiro nas costas, quando a vítima trabalhava fazendo entregas, na noite de sexta-feira (10/04), nas imediações do Parque do Ibirapuera, em Moema, área nobre da zona sul paulistana.

Feitosa, que é subinspetor da Guarda, alegou em depoimento que o tiro teria sido acidental. A versão dele, como revelado pelo Metrópoles, destoa de outros depoimentos prestados à Polícia Civil. Neles também é indicado que ele pediu apoio, após o disparo, para um acidente de trânsito, sem mencionar o tiro. A vítima, ferida mortalmente nas costas, será sepultada, na tarde deste domingo (12/4), no Cemitério da Paz, em Poá, região metropolitana de São Paulo.

GCM afasta guarda preso por matar entregador com tiro nas costas em SP - destaque galeria

Vítima deixa esposa e três filhos
1 de 5

Vítima deixa esposa e três filhos

Reprodução/Instagram

Douglas trabalhava com entregas para complementar renda familiar
2 de 5

Douglas trabalhava com entregas para complementar renda familiar

Reprodução/Instagram

Entregador foi ferido mortalmente com tiro nas costas
3 de 5

Entregador foi ferido mortalmente com tiro nas costas

Arquivo pessoal

Douglas caiu após bicicleta colidir contra viatura da guarda
4 de 5

Douglas caiu após bicicleta colidir contra viatura da guarda

Reprodução/Instagram

Douglas Renato Scheeffer Zwarg com a esposa
5 de 5

Douglas Renato Scheeffer Zwarg com a esposa

Reprodução/Instagram

À reportagem, neste domingo (12/04), a Secretaria Municipal de Segurança Urbana confirmou o afastamento do subinspetor de suas funções operacionais, acrescentando que, além do inquérito policial, ele responderá a um processo administrativo, instaurado pela Corregedoria Geral da GGM.

“A Secretaria conduz as apurações com rigor e imparcialidade, adotando as providências cabíveis conforme o andamento das investigações”, acrescentou.

Apoio acionado como “acidente”

Um dos pontos centrais que emerge dos depoimentos, obtidos pela reportagem, é a forma como o caso foi inicialmente comunicado. Segundo o registro policial, Feitosa informou às equipes de apoio que se tratava de um acidente de trânsito, versão que foi reproduzida por outros guardas que chegaram ao local.

Os GCMs Moacyr Romano Junior e Matheus Junior Melo Colares relataram que, ao serem acionados, receberam a informação de que o ciclista havia sofrido um mal súbito após um suposto acidente. Só depois, com a retirada das roupas da vítima pela equipe de resgate, foi identificado um ferimento por arma de fogo nas costas.

Nesse momento, ainda conforme os depoimentos, Feitosa admitiu ter efetuado o disparo, mas afirmou que não sabia que havia atingido o homem.

Estampido com a viatura em movimento

Outro trecho dos registros policiais evidencia uma divergência relevante sobre o momento do tiro.

Feitosa sustenta que o disparo ocorreu quando a viatura já estava parada e ele iniciava o desembarque para abordagem, segurando a arma na mão esquerda, quando a bicicleta teria colidido contra a porta do veículo.

Já o GCM Iago Domingos, que dirigia a viatura, apresentou uma versão distinta.

“Durante a aproximação, o rapaz perdeu o equilíbrio, colidiu com a viatura e caiu, momento em que o depoente ouviu um estampido”, diz trecho do depoimento.

O relato indica que o disparo teria ocorrido com o veículo ainda em movimento, antes da parada completa, contrastando com a versão apresentada pelo subinspetor.

Queda, tiro e descoberta tardia

A reconstrução preliminar feita pela Polícia Civil aponta que Douglas se desequilibrou ao ser abordado, possivelmente por estar com fones de ouvido, e caiu junto com a bicicleta.

No mesmo instante, ocorreu o disparo. Segundo Feitosa, ele acreditou que o tiro teria atingido um barranco e não percebeu, inicialmente, que havia acertado o ciclista.

A ausência de sangue visível no primeiro momento reforçou, segundo os próprios agentes, a interpretação inicial de acidente. A gravidade do caso só foi identificada quando o resgate constatou o ferimento causado por arma de fogo, cerca de meia hora após o disparo.

Apesar de ter sido preso em flagrante, o guarda foi liberado após o pagamento de fiança de R$ 2 mil. O caso foi registrado pelo DHPP como homicídio culposo.

A defesa do GCM não foi localizada. O espaço segue aberto para manifestação.

Fonte: Metrópoles