Diretor-geral da Polícia Federal acionou o STF para receber imagens da ação que aconteceu em outubro do ano passado e que se tornou a mais letal da história das polícias do Brasil
Seis meses após a megaoperação mais letal da história das polícias do Brasil, a Polícia Militar do Rio de Janeiro ainda não entregou as imagens das câmeras corporais de seus agentes à Polícia Federal (PF). A ação conjunta, que ocorreu em outubro do ano passado nos complexos da Penha e do Alemão e resultou na morte de 122 pessoas, é alvo de investigações. Diante da falta do material, que deveria registrar a atuação dos policiais na linha de frente do confronto, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, acionou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A PF comunicou ao STF que a PM fluminense não disponibilizou de forma correta e adequada as imagens das câmeras de fardamento dos agentes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). O grupo de elite atuou diretamente na contenção de rotas de fuga durante o cerco policial.
Em contrapartida, a Polícia Civil já disponibilizou mais de 400 horas de gravações. No entanto, a Polícia Federal precisou solicitar à Justiça um prazo de 90 dias para a análise desse conteúdo, em vez dos 15 dias inicialmente estipulados. O pedido de prorrogação ocorre devido a dificuldades técnicas: os arquivos são pesados e o sistema disponibilizado permite apenas o acesso online, impedindo o download do material.
A megaoperação contou com um contingente de 2.500 policiais e, além do alto número de mortes, gerou uma série de denúncias de abusos. Análises preliminares do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) já resultaram em cerca de dez denúncias formais contra policiais militares que participaram da ação.
Entre os crimes investigados estão o desvio de fuzis apreendidos — que teriam sido repassados a traficantes —, invasões a estabelecimentos comerciais sem autorização judicial, com o consumo de produtos no local, e invasão de residências particulares, onde moradores relataram o furto de objetos pessoais pelos agentes de segurança.
Fonte: Jovem Pan




