A classe média está mal representada no STF

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A classe média está mal representada proporcionalmente no STF. Dos atuais dez integrantes do tribunal, apenas dois parecem viver nos limites do seu atual salário, de acordo com o noticiário: Cármen Lúcia e Edson Fachin.

Os outros ministros são ricos ou flertam com a riqueza, e boa parte deles passou a sê-lo ou a fazê-lo depois de assumir uma cadeira no Supremo. Viram, uma vez empossados, aflorar um talento insuspeito para o empreendedorismo neles próprios ou nos seus familiares mais próximos.

Veja-se o caso de Alexandre de Moraes. Fomos informados hoje de que o ministro e a sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, com quem é casado em regime de comunhão parcial de bens, triplicaram o patrimônio imobiliário desde que ele se tornou integrante do STF.

De acordo com os jornalistas Gustavo Cortês, Hugo Henud, Weslley Galzo e Aguirre Talento, o casal teve um “aumento de 266% do patrimônio imobiliário desde que Moraes passou a integrar a mais alta instância do Poder Judiciário, em março de 2017. Atualmente, o casal possui 17 imóveis, avaliados em R$ 31,5 milhões. Nos últimos cinco anos, ambos desembolsaram R$ 23,4 milhões na compra de imóveis em Brasília e em São Paulo, todos eles à vista, conforme os registros em cartório”.

Uma das últimas aquisições de Moraes e Viviane foi uma casa de R$ 12 milhões, na capital federal, em agosto do ano passado, segundo apurou o meu colega de Metrópoles, Igor Gadelha.

O grosso das aquisições ocorreu, portanto, depois da abertura do inquérito das fake news, em 2019, quando o ministro aumentou exponencialmente o seu poder individual na “defesa da democracia”.

Pode-se dizer que o cálculo do valor total dos 17 imóveis é conservador, ao se levar em conta que, em valores de mercado, o apartamento em que o casal mora em São Paulo não sai por menos de 15 milhões, em estimativa igualmente parcimoniosa.

O talento advocatício de Viviane Barci de Moraes é o motor de tanto sucesso. Como publicam os jornalistas, “desde que o marido se tornou ministro, o número de ações de Viviane em tribunais superiores saltou de 27 para 152. O número considera processos com tramitação no STF e no STJ”.

Não nos esqueçamos, ainda, do inesquecível — de que o escritório da doutora Viviane realizou a façanha de assinar um contrato com o Banco Master, de Daniel Vorcaro, no valor de R$ 129 milhões. Só não levou essa bufunfa toda porque o banco foi liquidado antes de o contrato chegar ao seu termo. Mesmo assim, o escritório conseguiu embolsar, ao menos, R$ 75,6 milhões.

Não há dúvida de que Moraes elevou bastante a média de riqueza dos ministros do STF. Não resta dúvida nenhuma.

Fonte: Metrópoles