Celular revelou logística de roubos de ouro para financiar empresas

A análise técnica de um celular apreendido durante a Operação Leviatã levou a polícia a identificar um esquema de roubos de joias e ouro, lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial. A coluna apurou que as informações extraídas do aparelho deram origem à Operação Usufruto Proibido, deflagrada nesta quinta-feira (6/8) em Macapá (AP), e apontaram o principal alvo como responsável por coordenar a logística dos crimes e administrar o patrimônio obtido de forma ilícita.

No dispositivo, os policiais encontraram diálogos, comprovantes de transferências bancárias, informações comerciais e referências à administração de empresas e bens em nome de familiares e pessoas próximas.

Embora o celular tenha sido apreendido com uma investigada, os elementos reunidos durante a apuração indicaram que o aparelho era utilizado pelo principal investigado da nova operação.

O esquema

Segundo a investigação, a organização criminosa atuava em três frentes. A primeira seria responsável pelo planejamento e pela logística de roubos de joias, ouro e outros bens de alto valor.

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da Coluna Mirelle Pinheiro

A segunda realizava a movimentação pulverizada dos recursos por meio de contas bancárias, transferências via PIX e outros meios de pagamento.

Já a terceira utilizava familiares, pessoas de confiança e empresas formalmente constituídas para ocultar a verdadeira titularidade do patrimônio e reinserir os valores na economia formal.

As empresas investigadas, de acordo com a polícia, não eram necessariamente de fachada. Algumas possuíam lojas físicas e exerciam atividades comerciais regularmente. A suspeita é de que esses estabelecimentos fossem utilizados para misturar receitas legítimas com dinheiro de possível origem criminosa, conferindo aparência de legalidade aos recursos.

Durante as diligências, um dos executores de roubos identificados apontou o principal investigado como possível mandante e responsável pela logística das ações criminosas. Esse depoimento ajudou a conectar os crimes patrimoniais ao esquema de movimentação financeira e ocultação dos valores obtidos.

Os dados extraídos do celular também indicaram que o principal investigado deixava a administração formal dos negócios sob responsabilidade de uma familiar porque realizava o chamado “corre”, expressão que, no contexto da investigação, foi interpretada como referência à prática de atividades ilícitas.

Para os investigadores, a estratégia permitia que ele mantivesse o controle efetivo das empresas e do patrimônio enquanto terceiros apareciam oficialmente como administradores e proprietários.

Os roubos

A investigação aponta que o grupo era especializado na subtração de joias, ouro e outros objetos de alto valor.

O modo de atuação incluía a escolha prévia das vítimas, monitoramento da rotina, uso de armas de fogo e fuga em motocicletas ou veículos.

A operação

A Operação Usufruto Proibido foi deflagrada para desarticular a organização criminosa, investigada por roubos majorados e lavagem de dinheiro. Durante a ação, foram cumpridos cinco mandados de prisão preventiva e 13 de busca e apreensão, expedidos pela Justiça.

A Ficco/AP é composta pela Polícia Federal, Polícia Militar do Amapá, Polícia Civil do Amapá, Instituto de Administração Penitenciária do Amapá e Secretaria de Estado da Justiça e Segurança Pública do Amapá.

Fonte: Metrópoles