Mendonça viu risco de vazamento da investigação sobre Jaques Wagner

Em decisão que autorizou o acesso ao monitoramento de dados do senador Jaques Wagner (PT-BA) e de cúpula ligada ao Banco Master, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), manifestou preocupação explícita com o risco de vazamento das investigações.

O relator do Caso Master no Supremo derrubou o sigilo da ação que trata das possíveis ligações do senador com o Banco Master, de Daniel Vorcaro. Entre eles, está a decisão que autorizou as diligências pedidas pela Polícia Federal, além dos argumentos e suspeitas que embasaram as investigações.

No documento, Mendonça manifesta preocupação com o vazamento e aponta um episódio “agudo” que sugere que os alvos da Operação Compliance Zero podem ter tido acesso antecipado a informações sigilosas.

De acordo com os documentos, no dia 9 de junho de 2026, mesmo dia em que a PF protocolou os pedidos de quebra de sigilo e monitoramento, um dos investigados pediu uma audiência no gabinete de Mendonça. Esse investigado seria o próprio Jacques Wagner.

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da Coluna Manoela Alcântara

O que chamou a atenção do relator foi o timing: o pedido ocorreu em horário anterior à própria distribuição oficial de algumas das representações formuladas pela PF.

Para Mendonça, essa conjuntura reforçou a necessidade de medidas urgentes, como a operação autorizada. Pois, para ele, foram demonstrados indícios de que a organização investigada teria capacidade de monitorar as ações de autoridades e investigadores, o que já teria comprometido diligências em fases anteriores.

Estratégias de contrainteligência

Os documentos da PF, citados pelo ministro, descrevem que os investigados adotaram táticas para evitar a produção de provas. Entre as condutas identificadas estão:

Comunicações efêmeras: O uso recorrente de chamadas de voz, áudios e mensagens temporárias para reduzir a rastreabilidade;

Linguagem cifrada: O uso de expressões como “A altura do vão é 2,45m”, que a polícia interpreta como uma referência ao valor de R$ 2,45 milhões de um apartamento no edifício Poème Horto, supostamente destinado ao senador Jacques Wagner;

Monitoramento de investigadores: A suspeita de que o grupo possui mecanismos para antecipar os passos da Polícia Federal.

Operação da PF

Jaques Wagner foi alvo da PF em 18 de junho. Segundo a corporação, o petista recebeu favorecimento indevido, incluindo um pedido de compra de um apartamento de R$ 2,5 milhões em Salvador ao ex-sócio do Banco Master, Augusto Lima. O petista alega que pediu ao empresário a compra para depois recomprar o imóvel para a sua filha.

Em 19 de junho, foi apresentada a escritura de venda em um cartório na comarca de Camaçari. A transação, porém, foi barrada no local, seguindo a determinação do ministro-relator do caso Master, André Mendonça.

Mendonça autorizou que fossem alvo da operação:

  • Jaques Wagner, senador
  • Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do ex-banqueiro Daniel Vorcaro
  • Eduardo Mendonça Sodré Martins, identificado pela PF como enteado de Jacques Wagner
  • David Lopes Monteiro, identificado como operador vinculado ao núcleo jurídico-financeiro associado ao Banco Master
  • Guilherme Henrique Sodré Martins, identificado como “tio Guiga” é apontado como pessoa de confiança de Jacques Wagner
  • Andréa Lima Novaes, diretora da PKL ONE PARTICIPAÇÕES S.A. e prima de Augusto Lima.

Fonte: Metrópoles