Turismo wellness aposta em relaxamento, prazer e conexões sensoriais

Mais do que uma forma de viajar, o turismo de bem-estar ou wellness, promove equilíbrio e qualidade de vida por meio de experiências de reconexão consigo mesmo e com a natureza. Em alta, o segmento deve ultrapassar US$ 1,4 trilhão até 2027, combinando cuidado com a saúde física e mental, além de uma clara preferência pela alimentação saudável.

E em 2026, essa tendência evolui: o tom clínico dá lugar ao prazer, à conexão humana e a rituais sensoriais. Spas deixam de ser espaços silenciosos e individuais e passam a funcionar como pontos de encontro, com yoga em grupo, banhos sonoros e lounges integrados a piscinas.

Nesse novo cenário, clubes de wellness surgem como espaços sociais premium, e hotéis e destinos passam a incorporar uma lógica em que o turismo deixa de ser apenas fuga e se torna estilo de vida.

Igor Romeu, executivo de marketing e comunicação com mais de 15 anos de experiência no Brasil e América Latina, explica que o turismo de wellness não é uma moda. Ele ganha força devido à necessidade do viajante em descansar das rotinas diárias.

“Vivemos em uma sociedade hiperconectada, marcada pelo excesso de estímulos e pelo estresse, o que tende a ampliar a demanda por turismo wellness. O desafio do setor é integrar profissionais de diferentes áreas, como saúde, arquitetura e engenharia, para criar ambientes realmente voltados ao bem-estar e à qualidade de vida”.

Igor Romeu

Segundo o executivo, uma experiência de viagem não se inicia no check-in do hotel, mas sim desde a saída da casa do viajante passando pela chegada ao aeroporto, até o trajeto à acomodação. Os melhores aeroportos do mundo têm investido em criar ambientes mais tranquilos, com menos estímulos sonoros e mais áreas verdes.

“A redução do trânsito, a eletrificação dos transportes e o controle do número de visitantes ajudam a promover destinos mais tranquilos, sustentáveis e alinhados ao bem-estar”, certifica.

Existe o risco de o turismo wellness se tornar algo elitizado?

Na avaliação de especialistas sim. Quanto mais profissionais envolvidos, mais cara se torna a experiência. “No entanto, o turismo wellness não se trata apenas de fazer massagens todos os dias; há atividades como meditação, imersão em águas termais, gastronomia orgânica e refeições em restaurantes slowfood“, afirma Igor Romeu.

Ainda de acordo com o executivo,  o turismo wellness é melhor aplicado em pequenos ambientes, ou seja, hotéis boutiques e pousadas, fazendas e comunidades locais, pois assim o serviço é mais personalizado sem precisar de uma reprodução em escala.

“A oportunidade para pequenos empreendedores e comunidades locais é enorme. Muitas das experiências são verdadeiros resgates do que se fazia antes da existência dos smartphones, como sentir a terra nos pés, entrar em uma cachoeira, tomar banho de ervas e comer o que foi plantado na horta”, avalia Romeu.

Como o turismo wellness se diferencia do tradicional

Para Tânia Trevisan, CEO da IW Tour, o turismo wellness se diferencia do turismo tradicional por priorizar a transformação pessoal do viajante, e não apenas os destinos visitados. Segundo ela, a proposta é menos sobre o que será visto e mais sobre como a pessoa deseja se sentir ao final da experiência.

A especialista relata que já promoveu vivências de bem-estar em destinos como Egito, Israel, Turquia, Tailândia, Grécia e Marrocos.

No Egito, por exemplo, organizou atividades de constelação familiar com terapeutas em espaços preparados para esse tipo de prática. Já em Israel, destaca o mergulho no Rio Jordão como uma experiência que ganha novo significado quando realizada com preparação e propósito.

Trevisan destaca ainda que o público do turismo wellness se tornou mais diverso e já não se limita ao perfil tradicional associado apenas a spas. Hoje, reúne pessoas de diferentes idades e faixas de renda em busca de bem-estar, autoconhecimento e experiências com propósito. Segundo ela, o principal elo entre esses viajantes é a necessidade de desacelerar e encontrar equilíbrio diante da rotina acelerada.

Fonte: Metrópoles