A Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ) deflagrou, na manhã desta terça-feira (21/7), a Operação Metástase para desarticular uma organização criminosa suspeita de roubar cargas de medicamentos de alto custo e recolocar os produtos no mercado por meio de empresas de fachada. Segundo as investigações, o grupo movimentou mais de R$ 33 milhões em apenas um ano e parte dos remédios teria sido revendida até mesmo para hospitais e órgãos públicos.
A ação é coordenada pela Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC-CAP). Ao todo, a Justiça autorizou 97 mandados de busca e apreensão e prisões contra integrantes apontados como líderes da organização. As diligências ocorrem simultaneamente no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio, na Baixada Fluminense, além de endereços em São Paulo, Goiás e Pará.
Até o momento, quatro investigados foram presos. Também foi determinado o bloqueio de R$ 30 milhões em contas bancárias, além do sequestro de imóveis, veículos de luxo e outros bens supostamente adquiridos com recursos do esquema.
De acordo com a Polícia Civil, a quadrilha era especializada no roubo de medicamentos oncológicos e imunossupressores, produtos de alto valor utilizados no tratamento de pacientes com câncer, transplantados e pessoas com doenças autoimunes. Somente nos últimos seis meses, o grupo é apontado como responsável por pelo menos 20 roubos de cargas.
As investigações indicam que, após os assaltos, os medicamentos eram levados para comunidades dominadas pelo Terceiro Comando Puro (TCP), no Complexo da Maré. No local, a carga era redistribuída, armazenada e preparada para voltar ao mercado. Segundo os investigadores, a facção fornecia proteção armada e garantia o funcionamento da logística criminosa.
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da Coluna Mirelle Pinheiro
A apuração revelou que a organização era dividida em diferentes núcleos. Um grupo executava os roubos, outro cuidava da movimentação financeira e da lavagem do dinheiro, enquanto um terceiro era responsável por armazenar, fracionar e encaminhar os medicamentos aos compradores. Empresas de fachada, transportadoras, entregadores e “laranjas” eram utilizados para ocultar a origem dos produtos.
Os policiais também descobriram que integrantes do esquema aliciavam funcionários de transportadoras para obter informações privilegiadas sobre rotas, horários e cargas transportadas.
Segundo a investigação, cerca de 25 empresas de fachada, distribuídas entre Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Pará, integravam a engrenagem financeira da organização. Elas eram utilizadas para emitir documentação, receber pagamentos e dar aparência de legalidade aos medicamentos roubados, que eram revendidos por preços inferiores aos praticados no mercado.
A Polícia Civil alerta que o esquema representava risco direto à saúde pública. Medicamentos oncológicos e imunossupressores precisam ser mantidos sob rígido controle de temperatura durante o transporte. Quando armazenados de forma inadequada, podem perder a eficácia, sofrer contaminação ou até colocar pacientes em risco.
A operação mobiliza equipes da DRFC-CAP, da Core, dos departamentos especializados da Polícia Civil, da Polícia Militar e conta com apoio das polícias civis de São Paulo, Goiás e Pará, além da Rede Cargas, do Ministério da Justiça. As investigações prosseguem para identificar outros integrantes da organização e o destino final dos medicamentos roubados.
Fonte: Metrópoles




