Agência de turismo investigada por não entregar pacotes internacionais é alvo de operação

Agentes da Delegacia do Consumidor saíram para cumprir 9 mandados de busca e apreensão em bairros do Rio. Dono da Outsider Tours chegou a ser preso no início do ano.

A Polícia Civil do RJ iniciou, nesta segunda-feira (18), a Operação Cartão Vermelho, que mirava a Outsider Toursempresa de turismo investigada por vender pacotes de viagem não entregues. A firma, segundo a defesa, encerrou as atividades, mas a polícia apura se a Outsider seguiu operando sem fachada.

Agentes da Delegacia do Consumidor (Decon) saíram para cumprir 9 mandados de busca e apreensão em endereços na Barra da Tijuca, Ilha do Governador, Leblon e Centro do Rio. Um dos alvos foi Fernando Sampaio de Souza e Silva, representante legal da firma. Mas ele não foi localizado.

O objetivo era apreender celulares e computadores que estivessem com ele para ajudar na investigação.

A delegacia investiga a Outsider por denúncias de estelionato e crimes contra as relações de consumo. A empresa vendia pacotes internacionais, incluindo passagens aéreas, hospedagens e ingressos para jogos de futebol, mas não entregava os serviços contratados. As reclamações começaram em 2022, na final da Libertadores.

A polícia cumpriu mandados de busca e apreensão contra Letícia Coppi e Silva, mulher de Fernando e suspeita de abrir uma empresa usada para receber pagamentos da Outsider.

Também foi alvo de buscas Armando Raymundo Neto, dono da Turisport Turismo, empresa também usada pelo grupo. Ele foi levado para delegacia para prestar depoimento.

Os mandados foram expedidos pela 42ª Vara Criminal, com base em um inquérito aberto em 2025. Fernando responde a mais de 600 processos em diferentes estados e foi preso no início do ano em Balneário Camboriú, em Santa Catarina.

“A nossa investigação faz parte de um grupo de inquéritos aqui na delegacia do consumidor, que procura identificar indícios de fraudes na venda de pacotes esportivos para consumidores aqui do RJ”, disse o delegado Wellington Vieira.

“São vários lesados, pessoas que compraram pacotes de viagem para assistir a partidas de futebol fora do Brasil, como a Libertadores, e quando chegaram ao destino — quando tinham a sorte de chegar ao destino — identificavam a fraude, como falta de hotel, falta de ingressos, falta de transfer”, detalhou o delegado.

“Tudo o que era prometido pela empresa não era cumprido, e as pessoas ficavam no prejuízo e atrapalhavam até assistir à partida do time de coração.”

Em abril, Fernando foi solto após decisão da Justiça do Pará. Segundo os advogados do empresário, a Outsider foi fechada definitivamente.

A defesa de Fernando diz que ele se coloca à disposição das autoridades e que, até o momento, não há qualquer decisão judicial condenatória (leia a íntegra abaixo).

A reportagem não conseguiu contato com as defesas de Letícia Coppi e de Armando Raymundo Neto.

Nota de Fernando Sampaio

“A defesa técnica de Fernando Sampaio, composta pelos advogados Felipe Raúl Haas e Fernando Martins Xavier de Almeida, vem a público esclarecer que recebeu com serenidade as medidas recentemente cumpridas no âmbito da denominada ‘Operação Cartão Vermelho’.

Desde o primeiro momento, Fernando colocou-se integralmente à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários, reafirmando seu compromisso com a legalidade, com a transparência empresarial e com o devido funcionamento das instituições.

É importante destacar que, até o presente momento, não há qualquer decisão judicial condenatória, tampouco reconhecimento formal de responsabilidade penal. A investigação encontra-se em fase inicial, razão pela qual a defesa considera indispensável cautela na divulgação de informações e absoluto respeito às garantias constitucionais da presunção de inocência, do contraditório e da ampla defesa.

A defesa ressalta ainda que não compactua com prejulgamentos ou conclusões antecipadas baseadas exclusivamente em narrativas investigativas unilaterais, sobretudo em procedimentos ainda em curso e sob sigilo parcial.

Após análise integral dos autos e dos elementos efetivamente produzidos na investigação, a defesa adotará todas as medidas jurídicas cabíveis para o completo esclarecimento dos fatos e para a preservação dos direitos e da imagem de Fernando Sampaio.

Por fim, a defesa reforça confiança nas instituições e no Poder Judiciário, acreditando que a verdade será restabelecida ao final da apuração oficial.”

Fonte: g1