Investigação aponta que Álvaro Barcha mantinha ligação com auditores e integrantes da Secretaria de Fazenda para interferir em processos e viabilizar pagamentos ilícitos. Ele foi preso em flagrante por posse ilegal de armas.
A Polícia Federal apreendeu R$ 1,1 milhão em moeda estrangeira e 2 carros de luxo da marca Jaguar no apartamento de Álvaro Barcha Cardoso, de 66 anos, na Lagoa, Zona Sul do Rio, durante a Operação Sem Refino, na manhã desta sexta-feira (15). Ele é apontado como operador e intermediário no pagamento de propinas a servidores públicos para beneficiar empresários ligados à Refit.
Durante as buscas, os policiais encontraram dois revólveres e uma pistola e acabou preso em flagrante por posse ilegal de armas.
Segundo a investigação, Álvaro Barcha teria atuado como um articulador com forte trânsito dentro da Secretaria de Fazenda, mantendo relações próximas com auditores fiscais, subsecretários e até com o então secretário estadual.
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Álvaro Barcha foi preso pela Polícia Federal por posse ilegal de armas; em sua casa foram encontrados R$ 1,1 milhão em dinheiro — Foto: Reprodução
Os investigadores afirmam que ele teria atuado para influenciar processos administrativos, antecipar decisões internas e interferir em temas de interesse do grupo empresarial ligado ao empresário Ricardo Magro, controlador da Refit.
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PF também apreendeu armas — Foto: Divulgação
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Claudio Castro (PL) — Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
No total, agentes saíram para cumprir 17 mandados de busca e apreensão na manhã desta sexta, entre eles um contra o ex-governador Cláudio Castro. Moraes ainda determinou 7 medidas de afastamento de função pública.
Movimentações financeiras suspeitas
Os investigadores também destacam possíveis indícios de corrupção e movimentação financeira suspeita. Em conversas analisadas pela PF, contatos de pessoas ligadas ao esquema apareciam salvos no celular de Álvaro Barcha acompanhados da palavra “Pix”, o que, segundo a representação, pode indicar transferências de dinheiro entre os envolvidos.
Além disso, a investigação identificou trocas de mensagens entre Álvaro e o então secretário estadual Juliano Pasqual envolvendo números de processos SEI e empresas específicas, o que reforçaria a suspeita de acesso privilegiado a informações internas e possível atuação em favor de interesses privados.
A representação também cita fotografias em que Álvaro Barcha aparece exibindo grandes quantias de dinheiro em espécie.
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Trecho da decisão tem fotos que seriam de Álvaro Barcha com montantes de dinheiro — Foto: Reprodução
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Trecho da decisão tem fotos que seriam de Álvaro Barcha com montantes de dinheiro — Foto: Reprodução
O que dizem os citados
O g1 está tentando contato com a defesa de Álvaro Barcha.
Nota de Cláudio Castro
“A defesa do ex-governador do Rio Cláudio Castro afirma que foi surpreendida com a operação de hoje [sexta] e que ainda não tomou conhecimento do objeto do pedido de busca e apreensão. No entanto, Castro está à disposição da Justiça para dar todas as explicações convicto de sua lisura.
Todos os procedimentos praticados durante a sua gestão obedeceram aos critérios técnicos e legais previstos na legislação vigente, inclusive aqueles relacionados à política de incentivos fiscais do estado, que seguem normas próprias, análises técnicas e deliberação dos órgãos competentes.
É de suma importância destacar que a gestão Cláudio Castro foi a única a conseguir que a Refinaria de Manguinhos pagasse dívidas com o estado, o que reforça a postura isenta e institucional do ex-governador. No total, gestão conseguiu garantir o pagamento de parcelas cujo montante se aproxima de R$ 1 bilhão.
Atualmente, o parcelamento se encontra suspenso por força de decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro em agravo de instrumento.
Ao longo da gestão, a PGE (Procuradoria-Geral do Estado) ingressou com inúmeras ações contra a Refit, o que demonstra que a Procuradoria sempre atuou para que a empresa pagasse o que deve ao Estado.
Cláudio colaborou com a busca, que ocorreu sem qualquer intercorrência, e nada de relevante foi apreendido.”
Nota da Refit
“A Refit esclarece que as questões tributárias envolvendo a companhia estão sendo discutidas no âmbito judicial e administrativo, como fazem diversas companhias do setor, incluindo a própria Petrobras, atualmente uma das maiores devedoras de tributos do Estado do Rio de Janeiro.
Importante ressaltar que a atual gestão da Refit herdou passivos tributários acumulados por administrações anteriores e, desde então, vem adotando medidas para regularização dessas obrigações. Somente ao Estado do Rio, a empresa realizou pagamentos da ordem de R$ 1 bilhão no último exercício.
As operações contra a Refit prejudicam a concorrência no setor de combustíveis e privilegiam a atuação de um cartel formado por três grandes empresas já condenadas pelo CADE por controlarem o preço do combustível nos postos, prejudicando a população e contribuindo para o aumento da inflação no país.
A Refit jamais falsificou declarações fiscais para ter vantagens tributárias. Laudos científicos da carga apreendida nas últimas operações comprovam que o produto importado é óleo bruto de petróleo, conforme devidamente declarado no documento de importação. Causa estranheza a Receita Federal impedir a realização da perícia judicial que possa corroborar os laudos de profissionais já apresentados em juízo.
A Refit nega veementemente ter fornecido combustíveis para o crime organizado. Ao contrário, sempre atuou como denunciante de postos ligados a facções criminosas, incluindo aqueles de bandeiras renomadas que integram o Instituto Combustível Legal (ICL) e foram alvos de operações policiais. Ressalta-se ainda que o fechamento da Copape, em meados de 2024, formuladora ligada ao PCC, também foi resultado de denúncias que partiram da Refit às autoridades e à ANP”.
Fonte: g1




