Com governo dividido, Alckmin defende manutenção da taxa das blusinhas

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O presidente em exercício, Geraldo Alckmin (PSB), defendeu, nesta quinta-feira (16/4), a manutenção da chamada “taxa das blusinhas”, que instituiu a cobrança de imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50. A posição contraria a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que considera o tributo “desnecessário”.

Alckmin ressaltou que mantém o entendimento de que a taxação é válida, reiterando a posição adotada quando a medida foi implementada, em agosto de 2024.

“Eu, lá atrás, e continuo entendendo que ela é necessária, porque, mesmo com a taxa, ainda a tarifa é menor do que a produção nacional. Se você for somar em 20% o imposto de exportação mais o ICMS dos estados, vai dar menos de 40%. O produtor nacional paga quase 50%. Então, mesmo assim, a tarifa ainda está menor do que a produção nacional”, afirmou Alckmin, durante coletiva de imprensa no Palácio do Planalto.

Na terça-feira (14/4), em entrevista aos sites Brasil 247, Revista Fórum e DCM, Lula afirmou que considerava a taxa “desnecessária”, desde a sua implementação, e disse ter ciência do desgaste causado pela medida ao governo. O presidente também sinalizou que avalia um pacote para reduzir o preço dos produtos.

“Eu achava desnecessária a taxa das blusinhas. São compras muito pequenas, as pessoas de baixo poder aquisitivo é que compravam aquilo. Sei do prejuízo que isso trouxe para nós”, disse.

Ministro defendeu revogação do imposto

Também nesta quinta-feira, o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães (PT-CE), defendeu a revogação do imposto. Em linha com Lula, o responsável pela articulação política do governo afirmou que a aprovação da medida foi “um dos elementos mais fortes de desgaste” da gestão petista. “Se o governo decidir revogar, eu acho uma boa”, opinou.

A revogação da “taxa das blusinhas” está em discussão dentro do governo, diante da avaliação de que o tema impacta diretamente a popularidade de Lula.

Levantamento da AtlasIntel aponta que 62% dos brasileiros consideram a taxa um erro do governo, enquanto 30% a avaliam como um acerto. O resultado ampliou a pressão interna por uma reavaliação da política.

Segundo Alckmin, não há, até o momento, uma decisão definitiva sobre o tema.

Fonte: Metrópoles