funcionários e alunos protestam após bônus a professores

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Cerca de 13 mil funcionários técnico-administrativos da Universidade de São Paulo (USP) entraram em greve por período indeterminado a partir desta terça-feira (14/4), como protesto por melhores condições de trabalho. Os estudantes dos campi da capital e do interior também paralisaram as atividades em apoio aos funcionários.

Aprovada por unanimidade durante uma assembleia geral do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) na última quinta-feira (9/4), a greve tem como principais eixos a luta por isonomia salarial, especialmente após aprovação de uma nova bonificação destinada aos professores da instituição, a igualdade com os docentes em relação às horas de pontes de recesso e de final de ano, o reajuste salarial e o Bilhete Único Especial.

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Paralisação foi votada em assembleia e marcada para a tarde desta terça (31/3)
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Paralisação foi votada em assembleia e marcada para a tarde desta terça (31/3)

Cedido ao Metrópoles/Giovanna Accioli

Protesto acontece em frente ao novo prédio da Reitoria da USP, no campus do Butantã
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Protesto acontece em frente ao novo prédio da Reitoria da USP, no campus do Butantã

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Próxima assembleia acontece no dia 9 de abril, para votação de uma possível greve de servidores
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Próxima assembleia acontece no dia 9 de abril, para votação de uma possível greve de servidores

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Servidores técnicos e admnistrativos protestam por melhores benefícios e aumento de salários
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Servidores técnicos e admnistrativos protestam por melhores benefícios e aumento de salários

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Segundo o Sintusp, o movimento encontrou força maior a partir da aprovação, no dia 31 de março, durante uma reunião do Conselho Universitário, de um novo bônus mensal no valor de R$ 4.500 durante 24 meses destinados aos docentes que assumirem projetos extracurriculares, proposto pelo novo reitor da USP, Aluísio Segurado.

Segundo o Sintusp, a gratificação rompe a isonomia, que garantia reajustes e benefícios iguais, acordada entre os reitores das três universidades paulistas e os sindicatos de funcionários e docentes da USP, UNESP e Unicamp.

“A quebra da isonomia, que já foi sentida na gestão [Carlos Gilberto] Carlotti, quando houve uma gratificação em valor seis vezes maior para os docentes, agora ficou escancarada. É a mesma quebra que ocorre cotidianamente, em especial nos períodos de pontes de feriado e do recesso de final de ano, os quais temos que compensar anualmente, chegando a quase 100 horas”, diz o sindicato.

A reivindicação é que o montante a ser gasto com a gratificação dos professores, ao longo de dois anos, seja dividido pelo número de funcionários: isso resultaria, segundo o sindicato, em cerca de R$ 1.516,00 para cada um. A proposta é que esse valor seja incorporado aos salários dos funcionários.

Paralisação de estudantes

Como forma de apoio e em protesto por melhores condições de permanência estudantil, os estudantes da USP também paralisaram suas atividades nesta terça. No total, 105 cursos ofertados nos campi do Butantã, da zona leste, do Largo do São Francisco, no Quadrilátero da Saúde, no centro, além dos campi do interior aderiram à paralisação.

Dentre as principais reivindicações, segundo o Diretório Central dos Estudantes (DCE) Alexandre Vannucchi Leme, estão melhores condições dos bandejões e fim da privatização, o fim da ameaça da reitoria aos espaços estudantis, aumento do auxílio estudantil para um salário mínimo paulista e a isonomia entre docentes e funcionários.

Estudantes paralisam nesta terça-feira (14/4), em apoio à greve de funcionários e em protesto por melhores condições de permanência
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Estudantes paralisam nesta terça-feira (14/4), em apoio à greve de funcionários e em protesto por melhores condições de permanência

Reprodução/Material cedido ao Metrópoles

No total, 105 cursos da USP oferecidos na capital e no interior aprovaram a paralisação
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No total, 105 cursos da USP oferecidos na capital e no interior aprovaram a paralisação

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Paralisação está marcada para durar o dia todo e novas assembleias devem ser feitas para avaliar o indicativo de greve
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Paralisação está marcada para durar o dia todo e novas assembleias devem ser feitas para avaliar o indicativo de greve

Reprodução/Material cedido ao Metrópoles

Como garantia do protesto, entre a noite dessa segunda (13/4) e a manhã desta quarta (14/4), os estudantes pretendem fazer um “piquete” nos prédios dos institutos, uma técnica de empilhar mesas, cadeiras e outros objetos para impedir a entrada nas salas de aula (acima, imagens do campus Ribeirão Preto).

Ao longo desta terça, estão previstas atividades de ocupação e manifestação dos alunos, como confecção de cartazes, rodas de conversa e um ato no campus do Butantã às 14h com funcionários. Posteriormente, novas assembleias devem ser mobilizadas para avaliar um indicativo de greve dos estudantes.

Em nota publicada em suas redes sociais, a USP informou que “não pretende retirar nem restringir a atuação das entidades estudantis, tampouco negar o uso dos espaços historicamente ocupados por elas”. A universidade diz que reconhece a importância da mobilização dos alunos, e vai “assegurar a continuidade de suas atividades”.

Comida com larva

No início de abril, estudantes da Faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco, denunciaram uma série de problemas em relação ao Restaurante Universitário do campus.

O Metrópoles teve acesso a alguns dos relatos enviados ao Centro Acadêmico XI de Agosto, dos alunos de direito, que confirmavam a presença de larvas e insetos na comida, o desabastecimento de carne durante a oferta do serviço e as longas filas de espera para comer.

No “bandeijão”, como são conhecidos os restaurantes, o serviço é de responsabilidade de uma empresa terceirizada e as comidas são entregues já prontas, já que não há espaço suficiente na cozinha para produção. No campus do Butantã, os restaurantes também são privatizados e somente o Restaurante Central ainda opera em regime parcial.

Em texto publicado no Jornal da USP, a Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento (PRIP) informou que as ocorrências relatadas nos restaurantes “são tratadas tecnicamente pelas nutricionistas da PRIP e, administrativamente, pelas áreas que gerem esses contratos, que têm notificado e advertido as respectivas empresas”.

Inspeções da Vigilância Sanitária realizadas nos restaurantes da Faculdade de Direito (FD) e da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) no dia 10 de abril, segundo a PRIP, não encontraram nenhuma irregularidade.



Fonte: Metrópoles