Na trama, acompanhamos um grupo que se vê envolvido com uma tumba milenar recém-descoberta, despertando forças que estavam adormecidas há séculos
O terror ganha novos contornos em “Maldição da Múmia”, novo filme dirigido por Lee Cronin, que promete resgatar um dos mitos mais fascinantes e inquietantes da história: as antigas maldições do Egito. Conhecido por seu trabalho intenso no gênero, o cineasta mergulha agora em uma narrativa que mistura mistério, emoção e horror sobrenatural, apostando não apenas em sustos, mas em uma conexão profunda com o público.
Na trama, acompanhamos um grupo que se vê envolvido com uma tumba milenar recém-descoberta, despertando forças que estavam adormecidas há séculos. À medida que eventos inexplicáveis começam a acontecer, segredos antigos vêm à tona, colocando todos em risco e revelando que algumas histórias jamais deveriam ser perturbadas. A produção aposta em uma atmosfera densa e claustrofóbica, onde o passado parece respirar dentro das paredes e cada decisão pode ser fatal.
Para Cronin, o fascínio por esse tipo de história vai muito além do cinema. “Eu acho que nós, como pessoas, continuamos com uma fascinação com esses assuntos fora dos filmes, porque eles são uma grande parte da história e da cultura”, explica o diretor, destacando que o universo das múmias carrega um peso simbólico que atravessa gerações. Ele reforça que o mistério é um dos principais motores do interesse do público: “há um mistério, há segredos. E eu acho que as pessoas sempre estão intrigadas em ter respostas”.
Depois do sucesso de seus trabalhos anteriores no terror, Cronin revela que não existe uma fórmula mágica para criar um filme assustador, mas sim um ponto de partida essencial: personagens reais. “Eu não tenho certeza se há um segredo, mas, para mim, a coisa mais importante é ter certeza de que há personagens que você pode se identificar”, afirma. Segundo ele, o horror só funciona de verdade quando o público acredita nas pessoas que estão vivendo aquela experiência: “você pode ver a verdade e a humanidade neles”.
Essa abordagem é o que permite que “Maldição da Múmia” vá além do terror tradicional. O diretor aposta em uma construção emocional sólida para, então, intensificar o sobrenatural. “Quanto mais real você faz com as pessoas… isso permite que você vá mais louco no lado do horror”, explica. E, curiosamente, ele revela um ingrediente inesperado na receita: “o pequeno ingrediente mágico secreto é um pouco de humor também, mesmo em tempos escuros, nós ainda rimos”.
Mas nem tudo foram facilidades durante a produção. Cronin admite que o filme exigiu um grande esforço logístico e criativo, especialmente ao lidar com efeitos práticos e um elenco diverso. “Há sempre uma série de desafios diários quando você faz um filme… não importa o quanto você se prepara”, conta. Entre os principais obstáculos, ele destaca o uso de próteses e a dinâmica de gravação: “é muito difícil, principalmente quando envolve crianças, você não pode pedir para ficar horas em maquiagem e depois trabalhar o dia inteiro”.
Ainda assim, o resultado promete ser um espetáculo visual e sensorial, fruto de um trabalho coletivo intenso. “Tive uma equipe incrível e conseguimos trazer tudo junto e criar o espetáculo que criamos”, finaliza o diretor.
Com uma combinação de tensão psicológica, mitologia antiga e personagens que carregam emoção real, “Maldição da Múmia” chega como uma das apostas mais intrigantes do terror moderno, pronta para provar que algumas maldições nunca perdem sua força, apenas esperam o momento certo para despertar. O filme estreia nos cinemas no próximo dia 16.
‘Não é um monstro, é nossa filha’
Protagonista do filme, Jack Reynor revela que sua conexão com o universo sobrenatural vem, antes de tudo, da paixão pelo gênero. “Provavelmente não se estende muito além do meu amor por filmes de horror, mas eu sou um grande fã”, afirma. O ator ainda destaca o peso de fazer parte de uma tradição que atravessa décadas. “Desde os filmes de Boris Karloff nos anos 30, até Christopher Lee e Peter Cushing da Hammer Films, até o filme com Brendan Fraser. É um gosto fazer parte desse legado”.
Sobre a construção do personagem, Reynor revela que o processo foi intenso e emocional, mesmo com pouco tempo de preparação. “Eu e o Lee tivemos ótimas conversas sobre quem esse personagem poderia ser”, conta. Para ele, o coração da história está no drama familiar. “Era um filme sobre uma família em que houve um trauma horrível, eles perderam sua filha. E estão lidando com a culpa de não poder protegê-la”.
Essa dor é o que transforma completamente a dinâmica do terror no filme. “Quando ela finalmente volta com essa raiva e vingança, há uma resolução que eles precisam, mas é uma coisa impossível de consertar”, explica o ator, destacando o conflito emocional que move a narrativa. E é justamente esse dilema que diferencia o longa de outras produções do gênero.
Reynor também comenta sobre o equilíbrio entre emoção e horror, um dos grandes desafios do filme. “Se um filme de horror é bom, esses elementos profundos funcionam naturalmente, não ficam fora de lugar”, afirma. Segundo ele, o público vai sentir que aquela família é real. “A família nesse filme se sente muito viva, isso é um testemunho dos atores e do mundo que foi criado”.
Apesar da carga emocional, o filme não deixa de entregar o que os fãs esperam, tensão, sustos e uma experiência intensa no cinema. “No fim do dia, é um filme muito amplo, é divertido, obviamente horrível, muito assustador, mas foi feito para ser visto no cinema, com o público”, diz.
Mas o grande diferencial está na forma como a história encara sua “criatura”. “Em outras versões, a múmia é um monstro que precisamos destruir ou fugir”, explica Reynor. “Aqui, ela é apenas uma garota… nossa filha. Precisamos tentar salvá-la”. Essa inversão transforma completamente a experiência. “Estamos indo em direção a ela, não fugindo. Estamos presos com ela”.
Nos bastidores, essa intensidade também foi sentida pelo elenco, especialmente por Laia Costa, que revelou uma relação quase inexistente com o universo sobrenatural. “Nada. Tipo, literalmente, nada. Eu não vejo filmes de horror. Eu não quero pensar em coisas sobrenaturais porque eu não durmo”, confessou a atriz, mostrando que enfrentar esse tipo de narrativa foi um verdadeiro desafio pessoal. Ainda assim, ela destacou o impacto da experiência. “Foi tão interessante ser parte do processo deste filme, eu não sabia o quanto trabalho foi colocado em algo assim.”
Já Verónica Falcón trouxe uma visão mais aberta sobre o tema, influenciada por suas origens culturais. “Eu venho do México, nós temos muitas histórias sobrenaturais. Eu acredito e não acredito, então eu deixo que seja assim. Você nunca sabe”, afirmou, ressaltando o fascínio pelo desconhecido. Para ela, o projeto também foi um grande aprendizado como atriz. “Foi uma das melhores experiências de aprendizagem, há muito pensamento em cada coisa que você vê na tela.”
Fonte: Jovem Pan




